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quarta-feira, 12 de maio de 2021

The student of Master Thiago Pereira who reinvented the “Black Belt Movie Session”

[Vitor Sá, seu irmão Kung Fu Dimitri Andrade e seu Mestre Thiago Pereira 
no momento em que a ideia para seu novo projeto surgiria]

[Vitor Sá, his Kung Fu brother  Dimitri Andrade and his Master Thiago Pereira
 at the moment when the idea for his new project would come up]

by the disciple of Master Thiago Pereira, 
Vitor Sá.


 Pouco mais de um ano se passou desde o início da pandemia do “Novo Corona Vírus”, pouco mais de um ano que nos perguntamos se e quando voltaremos a viver da forma como vivíamos antes da pandemia começar. Pouco mais de um ano que meu Si Fu reuniu a Família Kung Fu para conversar sobre o momento, até então, inédito para todos.
Uma das decisões tomadas nessa conversa foi que começaríamos a realizar, os hoje consolidados, “Encontros Temáticos Remotos” (ETRs). Em tempos de distanciamento social essa era uma medida quase óbvia: transformar os momentos programados de acesso e o provimento de vida kung fu, feitos presencialmente, em encontros online. Os primeiros ETRs eram todos conduzidos por meu Si Fu e, posteriormente, eu e meus irmãos kung fu passamos conduzir alguns destes encontros. É por conta desta situação que escrevo este texto.
Confesso que, no início do processo eu não consegui enxergar o potencial que existe em preparar e conduzir um ETR. Pode parecer obvio agora, mas eu não consegui enxergar no início. Meu pensamento a respeito se restringia, “apenas”, em ajudar meu Si Fu. Utilizei a palavra “apenas” porque não percebi o quanto meu Si Fu, ao propor que eu e meus irmãos kung fu passássemos a organizar e conduzir alguns ETRs, estava na verdade nos oferecendo mais um recurso para ajudar no desenvolvimento do nosso kung fu. Levei pouco mais de um ano para perceber que todo esse processo não deveria ser encarado como um trabalho e sim como uma mobilização.

A little more than a year has passed since the “New Corona Virus” pandemic began, just over a year since we asked ourselves if and when we will live the way we did before the pandemic started. A little more than a year that my Si Fu brought the Kung Fu Family together to talk about the moment, until then, unprecedented for everyone.
One of the decisions made in this conversation was that we would begin to hold, today consolidated, “Remote Thematic Meetings” (ETRs in portuguese). In times of social detachment, this was an almost obvious measure: transform the scheduled moments of access and the provision of kung fu life, done in person, into online meetings. The first ETRs were all conducted by my Si Fu and, later, my kung fu brothers and I started to conduct some of these meetings. It is because of this situation that I write this text.
I confess that, at the beginning of the process, I was unable to see the potential that exists in preparing and conducting an ETR. It may seem obvious now, but I couldn't see it at first. My thinking about it was "just" restricted to helping my Si Fu. I used the word “just” because I didn't realize how much my Si Fu, in proposing that my kung fu brothers and I started to organize and conduct some ETRs, was actually offering us another resource to help in the development of our kung fu. It took me just over a year to realize that this whole process should not be seen as work but as a mobilization.
[Inspirado pelo 'Cinema em Família Kung Fu' idealizado pelo seu Si Gung, o Mestre Senior Julio Camacho. Vitor Sá propõe o 'Sessão Faixa-Preta'. Um ETR para tratar da '    Perspectiva Kung Fu de 'Filmes B' de artes marciais das décadas de '80 e '90]

[Inspired by the 'Cinema with Kung Fu Family ' conceived by his Si Gung, Senior Master Julio Camacho. Vitor Sá created the 'Black Belt Movie Session'. An ETR to address the 'Kung Fu Perspective of' B Movies' of martial arts from the '80s and' 90s]

O ano de 2020 chegou ao fim e nós achávamos que a pandemia também chegaria. No entanto, junto com 2021 veio a “segunda onda” do Corona Vírus e minha Família Kung Fu junto ao nosso Si Fu organizamos uma nova “onda” de “Encontros Temáticos Remotos”. Nessa nova “onda” de ETRs, eu tive a ideia de realizar uma série de encontros com um tom mais descontraído, surgia então a “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”. O nome é uma referência ao programa exibido nos anos 80 na Rede Globo de televisão: “Sessão Faixa Preta”. Em conversa com meu Si Fu, defini o seguinte: seriam três encontros remotos, em cada encontro seria exibido cenas (selecionadas por mim) de famosos filmes B de artes marciais, e após a exibição abordaríamos a “perspectiva kung fu” de cada uma das cenas. Mas e quanto aos filmes, quais seriam?
Pensar nos filmes foi um momento muito especial para mim, pois fui consumido por um sentimento nostálgico e isso fez com que eu selecionasse três filmes que alimentaram minha imaginação durante a infância: “Kickboxer – O Desafio do Dragão”, “Retroceder Nunca, Render-se Jamais” e “O Grande Dragão Branco”. Acho que posso afirmar que estes são três grandes clássicos para qualquer amante de filmes de artes marciais. Para mim, estes filmes marcaram tanto que neste exato momento em que escrevo, só de lembrá-los, já me dá vontade de assisti-los novamente (talvez pela centésima vez).
A primeira “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei” foi exibida no dia 22 de abril de 2021, às 20:30h. Com previsão inicial de durar cerca de uma hora e meia, ficamos online por duas horas abordando a “perspectiva kung fu” através das cenas selecionadas do filme “Kickboxer – O Desafio do Dragão”. Já na segunda sessão, realizada no dia 06 de maio de 2021, foram as cenas do filme “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”. Em ambas as sessões eu fiz todo um esforço para realizar algo que entregasse conteúdo e proporcionasse satisfação para quem estivesse assistindo, mas também, fiz questão de aproveitar ao máximo o processo de preparação dessas sessões, que para mim têm sido verdadeiros momentos de estudo e enriquecimento de conteúdo.

The year 2020 has come to an end and we thought the pandemic would also come. However, together with 2021 came the “second wave” of Corona Virus and my Kung Fu Family together with our Si Fu, we organized a new “wave” of “Remote Thematic Meetings”. In this new “wave” of ETRs, I had the idea of ​​holding a series of meetings with a more relaxed tone, then the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family” appeared. The name is a reference to the program shown in the 1980s on Rede Globo television: “Black Belt Movie Session”. In conversation with my Si Fu, I defined the following: there would be three remote encounters, in each encounter scenes (selected by me) from famous B martial arts films would be shown, and after the exhibition we would approach the “kung fu perspective” of each of the scenes. But what about the films, what would they be?
Thinking about the movies was a very special moment for me, because I was consumed by a nostalgic feeling and that made me select three films that fueled my imagination during my childhood: “Kickboxer ”, “Never Retreat, Never Surrender ”and“ Bloodsport ”. I think I can say that these are three great classics for any martial arts movie lover. For me, these films have marked so much that at this very moment when I write, just to remember them, it makes me want to watch them again (maybe for the hundredth time).
The first “Black Belt Movie Session of the Moy Fat Lei Family” was shown on April 22, 2021, at 8:30 pm. With an initial forecast of lasting about an hour and a half, we stayed online for two hours approaching the "kung fu perspective" through the selected scenes from the movie "Kickboxer". In the second session, held on May 6, 2021, there were scenes from the film “Never Retreat, Never Surrender”. In both sessions I made every effort to do something that would deliver content and provide satisfaction for those who were watching, but also, I made a point of making the most of the preparation process of these sessions, which for me have been real moments of study and enrichment of content.

 

[Vitor Sá achou que neste vídeo do canal 'Kung Fu Life', seu Si Taai Gung Leo Imamura  faz uma relação bem clara entre o tema e  "perspectiva kung fu".]

[Vitor Sá thought that in this video on the channel 'Kung Fu Life', his Si Taai Gung Leo Imamura makes a very clear relationship between the theme and "kung fu perspective".]

 No próximo dia 27 de maio de 2021, teremos a exibição do terceiro e último episódio da “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”. Na ocasião iremos analisar as cenas do clássico “O Grande Dragão Branco” que muitos dizem que é um dos melhores filmes B de artes marciais já feito até hoje. Para aqueles que assistiram as duas primeiras sessões, acredito que essa terceira seja aquela de maior expectativa, a mais aguardada. Quanto a mim, tão importante quanto fazer uma boa apresentação é seguir fazendo bons estudos, bons aprofundamentos que contribuem com o meu desenvolvimento como artista marcial, esse é o ponto principal.
Para você que está lendo este artigo, eu o convido para estar junto comigo, no próximo dia 27 de maio de 2021, no terceiro e último episódio da “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”.
Sigamos juntos! 

Next May 27, 2021, we will have the exhibition of the third and last episode of the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family”. On the occasion we will analyze the scenes of the classic “The Great White Dragon” that many say is one of the best B martial arts films ever made. For those who attended the first two sessions, I believe that this third is the one with the greatest expectation, the most awaited. As for me, as important as giving a good presentation is to keep doing good studies, good insights that contribute to my development as a martial artist, that is the main point.
For you who are reading this article, I invite you to be together with me, on May 27, 2021, in the third and final episode of the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family”.

Let's go together!


quarta-feira, 5 de maio de 2021

Si Fu of Ving Tsun System or a Si Fu of Kung Fu ?

 


[Si Fu contemplativo no Núcleo Ipanema]
[Si Fu contemplative at MYVT Ipanema School] 

Quando falamos em termos relacionados ao círculo marcial, a pior coisa que você pode fazer, é buscar seu significado em um site. Certa vez meu Si Gung me disse: “Existe a tradução do dicionário e a do seu Si Fu.” - Por isso, quando falamos do polivalente ideograma “Sau”[守], meu Si Fu costuma falar de “aderir”. Então, é como se qualquer conversa começasse com  “Sau”[守]. Se você não aderir, não se aproveita do que o outro está oferecendo, ainda que seja algo oposto ao que você pensaria. Você não conseguirá se apoiar nessa situação, para quem sabe gerar uma terceira coisa, que beneficie a todos. E num mundo de opostos, a ideia de  “Sau”[守], parece-me mais importante do que nunca. E se isso é importante em relações do dia a dia, imagine na relação entre Si Fu e To Dai.
Você então podia me ver ao longo dos anos, sem entender alguns movimentos do meu Si Fu. Eu começava por muitas vezes questionando e não aderindo. Não tinha nenhum senso de perspectiva, e por isso, não compreendia que ele tinha uma visão de um ponto muito mais amplo em relação ao meu. Ou quando já havia acontecido uma dedicação por parte dele de horas ou de dias, e ao ouvir a proposta, em poucos minutos apontava possíveis furos. 

Mais tarde, recebi a qualificação de: “Mestre Classe Qualificado” pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. Percebi então que assim como muitas pessoas, eu passaria a me confundir pelos anos seguintes, com algo muito importante: “De que se eu era um Si Fu do Sistema Ving Tsun ou um Si Fu de Kung Fu”. Então você pode pensar: “Ei! Do que esse cara está falando?”. - Bem, talvez não consiga explicar, algo que só eu vivi. 

When we speak in terms related to the martial circle, the worst thing you can do is to look for its meaning on a website. My Si Gung once said to me, "There is a translation of the dictionary and that of your Si Fu." - Therefore, when we speak of the versatile ideogram “Sau” [守], my Si Fu usually speaks of “adhere”. So, it is as if any conversation starts with “Sau” [守]. If you do not adhere, you'll not be able to take advantage of what the other is offering, even if it is something opposite to what you would think. You will not be able to rely on this situation, for those who know how to generate a third thing, which benefits everyone. And in a world of opposites, the idea of ​​“Sau” [守], seems to me more important than ever. And if this is important in everyday relationships, imagine the relationship between Si Fu and To Dai.
You could then see me over the years, without understanding some of my Si Fu's movements. I started by often questioning and not adhering. I had no sense of perspective, so I didn't understand that he had a much broader view than mine. Or when there was already a dedication on the part of him for hours or days, and after hearing some idea, in a few minutes I would point out possible mistakes.

Later, I was qualified with the qualification: “Qualified Master ” by Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. I realized then that like many people, I would be confused for the following years, with something very important: "That if I was a Si Fu of the Ving Tsun System or a Si Fu of Kung Fu". So you can think, “Hey! What is this guy talking about? ”. - Well, I may not be able to explain, something that only I experienced.



[Eu, Si Fu e meu Jiu Paai].
[Si Fu, my Jiu Paai and I]

Você pode transmitir técnicas para alguém, e com a dedicação correta sua e de seu pupilo, tudo pode ser aprendido de maneira breve. Afinal, são técnicas. Porém com o tempo, percebi que mesmo que seu trabalho seja a tutela de um Sistema como o Ving Tsun, ainda assim o trabalho de um Si Fu[師父] de Kung Fu é bem mais amplo. Certa vez, era minha segunda ou terceira sessão no Domínio Baat Jaam Do, e após um breve procedimento inicial em seu escritório, Si Fu ficou trabalhando em seu computador e pediu que eu me dirigisse até uma das salas de prática. Era uma noite de algum dia de semana e estávamos sozinhos desta vez. Falando alto lá da sua sala, ele disse: “Quando estiver bom, me chama!” - Eu aceitava com muita naturalidade esse tipo de transmissão[diferente de quando comecei aos 15 anos de idade], mas ainda não entendia a sua amplitude, pois Si Fu não foi uma única vez sequer para ver o que eu estava fazendo. Ao final, digitando e olhando para seu computador, ao perceber que estava de pé diante de sua mesa perguntou: “E aí? Já deu por hoje?”.

You can pass on techniques to someone, and with the correct dedication of you and your pupil, everything can be learned in a short time. After all, they are techniques. However, with time, I realized that even though one´s work is the tutelage of a System like Ving Tsun, still the work of a Si Fu [師父] of Kung Fu is much broader. It was once my second or third session at the Baat Jaam Do Domain. And after a brief initial procedure in his office, Si Fu went to work on his computer and asked me to go to one of the practice rooms. It was a weekday night and we were alone this time. Speaking loudly from his office, Si Fu said: “When it's good, call me!” - I accepted this type of transmission very naturally [different from when I started at the age of 15], but I still did not understand its breadth, because Si Fu did not even go to see what I was doing. At the end, typing and looking at his computer, when he realized he was standing in front of his desk he asked: “What's up? Are you done for today? ”.

[Eu e meu Si Hing, quando fomos qualificados como Mestres em 2015]
[Me and my Si Hing, when we qualified as Masters in 2015]

Então, voltando a falar de “Sau”[守], ele se torna muito importante a esta altura. Isso acontece porque para um Si Fu de Kung Fu conseguir trabalhar num processo mais amplo com seu To Dai, ele vai precisar que este esteja aberto para tal. Então, talvez a melhor palavra para a atitude adequada do To Dai seja “Receptivo”. 
Por isso, quando um To Dai está receptivo e o Si Fu percebe isso, ele poderá adentrar num misterioso processo chamado de “Sam Dak” [心得]. E segundo meu Si Gung, “Sam Dak” [心得] pode ser entendido como uma experiência percebida no processo de transmissão e aprendizagem.
Por fim, eu poderia falar de muitas habilidades importantes para um Si Fu de Kung Fu[em meu entendimento], como a habilidade de ter um coração grande e uma memória ruim. Isso serve para cada mágoa que um To Dai pode vir a promover. Porém, o que meu Si Fu me disse ainda no “Cham Kiu” a respeito de usar os “Olhos do Zelo”, ou seja, olhar com o coração e não apenas com os olhos. Possa ajudar um Si Fu de Kung Fu a desenvolver a habilidade de estar na medida e ver o que não está na medida. Sendo esta a chave para enxergar e saber corretamente. Isso chamamos de “San Ming 神明“. Mas esta, parece-me ser uma história para um outro dia...

So, going back to talking about “Sau” [守], it becomes very important at this point. This is because for a Si Fu of Kung Fu to be able to work in a broader process with his To Dai, he will need they to be open for that. So, perhaps the best word for To Dai's proper attitude is “Receptive”.
So, when a To Dai is receptive and Si Fu realizes it, he can enter a mysterious process called "Sam Dak" [心得]. And according to my Si Gung, “Sam Dak” [心得] can be understood as an experience perceived in the process of transmission and learning.
Finally, I could talk about many important skills for a Si Fu of Kung Fu [as I understand it], such as the ability to have a big heart and a bad memory, for every hurt in his heart that a To Dai can come to promote against him. However, what my Si Fu still told me in “Cham Kiu Domain” about using the “Eyes of Zeal”, that is, looking with the heart and not just with the eyes. Can help a Si Fu of Kung Fu to develop the ability to be in the measure and see what is not in the measure. This is the key to seeing and knowing correctly. This we call “San Ming 神明“. But this, it seems to me, is a story for another day ...




The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei“
moyfatlei.myvt@gmail.com