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quarta-feira, 12 de maio de 2021

The student of Master Thiago Pereira who reinvented the “Black Belt Movie Session”

[Vitor Sá, seu irmão Kung Fu Dimitri Andrade e seu Mestre Thiago Pereira 
no momento em que a ideia para seu novo projeto surgiria]

[Vitor Sá, his Kung Fu brother  Dimitri Andrade and his Master Thiago Pereira
 at the moment when the idea for his new project would come up]

by the disciple of Master Thiago Pereira, 
Vitor Sá.


 Pouco mais de um ano se passou desde o início da pandemia do “Novo Corona Vírus”, pouco mais de um ano que nos perguntamos se e quando voltaremos a viver da forma como vivíamos antes da pandemia começar. Pouco mais de um ano que meu Si Fu reuniu a Família Kung Fu para conversar sobre o momento, até então, inédito para todos.
Uma das decisões tomadas nessa conversa foi que começaríamos a realizar, os hoje consolidados, “Encontros Temáticos Remotos” (ETRs). Em tempos de distanciamento social essa era uma medida quase óbvia: transformar os momentos programados de acesso e o provimento de vida kung fu, feitos presencialmente, em encontros online. Os primeiros ETRs eram todos conduzidos por meu Si Fu e, posteriormente, eu e meus irmãos kung fu passamos conduzir alguns destes encontros. É por conta desta situação que escrevo este texto.
Confesso que, no início do processo eu não consegui enxergar o potencial que existe em preparar e conduzir um ETR. Pode parecer obvio agora, mas eu não consegui enxergar no início. Meu pensamento a respeito se restringia, “apenas”, em ajudar meu Si Fu. Utilizei a palavra “apenas” porque não percebi o quanto meu Si Fu, ao propor que eu e meus irmãos kung fu passássemos a organizar e conduzir alguns ETRs, estava na verdade nos oferecendo mais um recurso para ajudar no desenvolvimento do nosso kung fu. Levei pouco mais de um ano para perceber que todo esse processo não deveria ser encarado como um trabalho e sim como uma mobilização.

A little more than a year has passed since the “New Corona Virus” pandemic began, just over a year since we asked ourselves if and when we will live the way we did before the pandemic started. A little more than a year that my Si Fu brought the Kung Fu Family together to talk about the moment, until then, unprecedented for everyone.
One of the decisions made in this conversation was that we would begin to hold, today consolidated, “Remote Thematic Meetings” (ETRs in portuguese). In times of social detachment, this was an almost obvious measure: transform the scheduled moments of access and the provision of kung fu life, done in person, into online meetings. The first ETRs were all conducted by my Si Fu and, later, my kung fu brothers and I started to conduct some of these meetings. It is because of this situation that I write this text.
I confess that, at the beginning of the process, I was unable to see the potential that exists in preparing and conducting an ETR. It may seem obvious now, but I couldn't see it at first. My thinking about it was "just" restricted to helping my Si Fu. I used the word “just” because I didn't realize how much my Si Fu, in proposing that my kung fu brothers and I started to organize and conduct some ETRs, was actually offering us another resource to help in the development of our kung fu. It took me just over a year to realize that this whole process should not be seen as work but as a mobilization.
[Inspirado pelo 'Cinema em Família Kung Fu' idealizado pelo seu Si Gung, o Mestre Senior Julio Camacho. Vitor Sá propõe o 'Sessão Faixa-Preta'. Um ETR para tratar da '    Perspectiva Kung Fu de 'Filmes B' de artes marciais das décadas de '80 e '90]

[Inspired by the 'Cinema with Kung Fu Family ' conceived by his Si Gung, Senior Master Julio Camacho. Vitor Sá created the 'Black Belt Movie Session'. An ETR to address the 'Kung Fu Perspective of' B Movies' of martial arts from the '80s and' 90s]

O ano de 2020 chegou ao fim e nós achávamos que a pandemia também chegaria. No entanto, junto com 2021 veio a “segunda onda” do Corona Vírus e minha Família Kung Fu junto ao nosso Si Fu organizamos uma nova “onda” de “Encontros Temáticos Remotos”. Nessa nova “onda” de ETRs, eu tive a ideia de realizar uma série de encontros com um tom mais descontraído, surgia então a “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”. O nome é uma referência ao programa exibido nos anos 80 na Rede Globo de televisão: “Sessão Faixa Preta”. Em conversa com meu Si Fu, defini o seguinte: seriam três encontros remotos, em cada encontro seria exibido cenas (selecionadas por mim) de famosos filmes B de artes marciais, e após a exibição abordaríamos a “perspectiva kung fu” de cada uma das cenas. Mas e quanto aos filmes, quais seriam?
Pensar nos filmes foi um momento muito especial para mim, pois fui consumido por um sentimento nostálgico e isso fez com que eu selecionasse três filmes que alimentaram minha imaginação durante a infância: “Kickboxer – O Desafio do Dragão”, “Retroceder Nunca, Render-se Jamais” e “O Grande Dragão Branco”. Acho que posso afirmar que estes são três grandes clássicos para qualquer amante de filmes de artes marciais. Para mim, estes filmes marcaram tanto que neste exato momento em que escrevo, só de lembrá-los, já me dá vontade de assisti-los novamente (talvez pela centésima vez).
A primeira “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei” foi exibida no dia 22 de abril de 2021, às 20:30h. Com previsão inicial de durar cerca de uma hora e meia, ficamos online por duas horas abordando a “perspectiva kung fu” através das cenas selecionadas do filme “Kickboxer – O Desafio do Dragão”. Já na segunda sessão, realizada no dia 06 de maio de 2021, foram as cenas do filme “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”. Em ambas as sessões eu fiz todo um esforço para realizar algo que entregasse conteúdo e proporcionasse satisfação para quem estivesse assistindo, mas também, fiz questão de aproveitar ao máximo o processo de preparação dessas sessões, que para mim têm sido verdadeiros momentos de estudo e enriquecimento de conteúdo.

The year 2020 has come to an end and we thought the pandemic would also come. However, together with 2021 came the “second wave” of Corona Virus and my Kung Fu Family together with our Si Fu, we organized a new “wave” of “Remote Thematic Meetings”. In this new “wave” of ETRs, I had the idea of ​​holding a series of meetings with a more relaxed tone, then the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family” appeared. The name is a reference to the program shown in the 1980s on Rede Globo television: “Black Belt Movie Session”. In conversation with my Si Fu, I defined the following: there would be three remote encounters, in each encounter scenes (selected by me) from famous B martial arts films would be shown, and after the exhibition we would approach the “kung fu perspective” of each of the scenes. But what about the films, what would they be?
Thinking about the movies was a very special moment for me, because I was consumed by a nostalgic feeling and that made me select three films that fueled my imagination during my childhood: “Kickboxer ”, “Never Retreat, Never Surrender ”and“ Bloodsport ”. I think I can say that these are three great classics for any martial arts movie lover. For me, these films have marked so much that at this very moment when I write, just to remember them, it makes me want to watch them again (maybe for the hundredth time).
The first “Black Belt Movie Session of the Moy Fat Lei Family” was shown on April 22, 2021, at 8:30 pm. With an initial forecast of lasting about an hour and a half, we stayed online for two hours approaching the "kung fu perspective" through the selected scenes from the movie "Kickboxer". In the second session, held on May 6, 2021, there were scenes from the film “Never Retreat, Never Surrender”. In both sessions I made every effort to do something that would deliver content and provide satisfaction for those who were watching, but also, I made a point of making the most of the preparation process of these sessions, which for me have been real moments of study and enrichment of content.

 

[Vitor Sá achou que neste vídeo do canal 'Kung Fu Life', seu Si Taai Gung Leo Imamura  faz uma relação bem clara entre o tema e  "perspectiva kung fu".]

[Vitor Sá thought that in this video on the channel 'Kung Fu Life', his Si Taai Gung Leo Imamura makes a very clear relationship between the theme and "kung fu perspective".]

 No próximo dia 27 de maio de 2021, teremos a exibição do terceiro e último episódio da “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”. Na ocasião iremos analisar as cenas do clássico “O Grande Dragão Branco” que muitos dizem que é um dos melhores filmes B de artes marciais já feito até hoje. Para aqueles que assistiram as duas primeiras sessões, acredito que essa terceira seja aquela de maior expectativa, a mais aguardada. Quanto a mim, tão importante quanto fazer uma boa apresentação é seguir fazendo bons estudos, bons aprofundamentos que contribuem com o meu desenvolvimento como artista marcial, esse é o ponto principal.
Para você que está lendo este artigo, eu o convido para estar junto comigo, no próximo dia 27 de maio de 2021, no terceiro e último episódio da “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”.
Sigamos juntos! 

Next May 27, 2021, we will have the exhibition of the third and last episode of the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family”. On the occasion we will analyze the scenes of the classic “The Great White Dragon” that many say is one of the best B martial arts films ever made. For those who attended the first two sessions, I believe that this third is the one with the greatest expectation, the most awaited. As for me, as important as giving a good presentation is to keep doing good studies, good insights that contribute to my development as a martial artist, that is the main point.
For you who are reading this article, I invite you to be together with me, on May 27, 2021, in the third and final episode of the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family”.

Let's go together!


quarta-feira, 5 de maio de 2021

Si Fu of Ving Tsun System or a Si Fu of Kung Fu ?

 


[Si Fu contemplativo no Núcleo Ipanema]
[Si Fu contemplative at MYVT Ipanema School] 

Quando falamos em termos relacionados ao círculo marcial, a pior coisa que você pode fazer, é buscar seu significado em um site. Certa vez meu Si Gung me disse: “Existe a tradução do dicionário e a do seu Si Fu.” - Por isso, quando falamos do polivalente ideograma “Sau”[守], meu Si Fu costuma falar de “aderir”. Então, é como se qualquer conversa começasse com  “Sau”[守]. Se você não aderir, não se aproveita do que o outro está oferecendo, ainda que seja algo oposto ao que você pensaria. Você não conseguirá se apoiar nessa situação, para quem sabe gerar uma terceira coisa, que beneficie a todos. E num mundo de opostos, a ideia de  “Sau”[守], parece-me mais importante do que nunca. E se isso é importante em relações do dia a dia, imagine na relação entre Si Fu e To Dai.
Você então podia me ver ao longo dos anos, sem entender alguns movimentos do meu Si Fu. Eu começava por muitas vezes questionando e não aderindo. Não tinha nenhum senso de perspectiva, e por isso, não compreendia que ele tinha uma visão de um ponto muito mais amplo em relação ao meu. Ou quando já havia acontecido uma dedicação por parte dele de horas ou de dias, e ao ouvir a proposta, em poucos minutos apontava possíveis furos. 

Mais tarde, recebi a qualificação de: “Mestre Classe Qualificado” pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. Percebi então que assim como muitas pessoas, eu passaria a me confundir pelos anos seguintes, com algo muito importante: “De que se eu era um Si Fu do Sistema Ving Tsun ou um Si Fu de Kung Fu”. Então você pode pensar: “Ei! Do que esse cara está falando?”. - Bem, talvez não consiga explicar, algo que só eu vivi. 

When we speak in terms related to the martial circle, the worst thing you can do is to look for its meaning on a website. My Si Gung once said to me, "There is a translation of the dictionary and that of your Si Fu." - Therefore, when we speak of the versatile ideogram “Sau” [守], my Si Fu usually speaks of “adhere”. So, it is as if any conversation starts with “Sau” [守]. If you do not adhere, you'll not be able to take advantage of what the other is offering, even if it is something opposite to what you would think. You will not be able to rely on this situation, for those who know how to generate a third thing, which benefits everyone. And in a world of opposites, the idea of ​​“Sau” [守], seems to me more important than ever. And if this is important in everyday relationships, imagine the relationship between Si Fu and To Dai.
You could then see me over the years, without understanding some of my Si Fu's movements. I started by often questioning and not adhering. I had no sense of perspective, so I didn't understand that he had a much broader view than mine. Or when there was already a dedication on the part of him for hours or days, and after hearing some idea, in a few minutes I would point out possible mistakes.

Later, I was qualified with the qualification: “Qualified Master ” by Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. I realized then that like many people, I would be confused for the following years, with something very important: "That if I was a Si Fu of the Ving Tsun System or a Si Fu of Kung Fu". So you can think, “Hey! What is this guy talking about? ”. - Well, I may not be able to explain, something that only I experienced.



[Eu, Si Fu e meu Jiu Paai].
[Si Fu, my Jiu Paai and I]

Você pode transmitir técnicas para alguém, e com a dedicação correta sua e de seu pupilo, tudo pode ser aprendido de maneira breve. Afinal, são técnicas. Porém com o tempo, percebi que mesmo que seu trabalho seja a tutela de um Sistema como o Ving Tsun, ainda assim o trabalho de um Si Fu[師父] de Kung Fu é bem mais amplo. Certa vez, era minha segunda ou terceira sessão no Domínio Baat Jaam Do, e após um breve procedimento inicial em seu escritório, Si Fu ficou trabalhando em seu computador e pediu que eu me dirigisse até uma das salas de prática. Era uma noite de algum dia de semana e estávamos sozinhos desta vez. Falando alto lá da sua sala, ele disse: “Quando estiver bom, me chama!” - Eu aceitava com muita naturalidade esse tipo de transmissão[diferente de quando comecei aos 15 anos de idade], mas ainda não entendia a sua amplitude, pois Si Fu não foi uma única vez sequer para ver o que eu estava fazendo. Ao final, digitando e olhando para seu computador, ao perceber que estava de pé diante de sua mesa perguntou: “E aí? Já deu por hoje?”.

You can pass on techniques to someone, and with the correct dedication of you and your pupil, everything can be learned in a short time. After all, they are techniques. However, with time, I realized that even though one´s work is the tutelage of a System like Ving Tsun, still the work of a Si Fu [師父] of Kung Fu is much broader. It was once my second or third session at the Baat Jaam Do Domain. And after a brief initial procedure in his office, Si Fu went to work on his computer and asked me to go to one of the practice rooms. It was a weekday night and we were alone this time. Speaking loudly from his office, Si Fu said: “When it's good, call me!” - I accepted this type of transmission very naturally [different from when I started at the age of 15], but I still did not understand its breadth, because Si Fu did not even go to see what I was doing. At the end, typing and looking at his computer, when he realized he was standing in front of his desk he asked: “What's up? Are you done for today? ”.

[Eu e meu Si Hing, quando fomos qualificados como Mestres em 2015]
[Me and my Si Hing, when we qualified as Masters in 2015]

Então, voltando a falar de “Sau”[守], ele se torna muito importante a esta altura. Isso acontece porque para um Si Fu de Kung Fu conseguir trabalhar num processo mais amplo com seu To Dai, ele vai precisar que este esteja aberto para tal. Então, talvez a melhor palavra para a atitude adequada do To Dai seja “Receptivo”. 
Por isso, quando um To Dai está receptivo e o Si Fu percebe isso, ele poderá adentrar num misterioso processo chamado de “Sam Dak” [心得]. E segundo meu Si Gung, “Sam Dak” [心得] pode ser entendido como uma experiência percebida no processo de transmissão e aprendizagem.
Por fim, eu poderia falar de muitas habilidades importantes para um Si Fu de Kung Fu[em meu entendimento], como a habilidade de ter um coração grande e uma memória ruim. Isso serve para cada mágoa que um To Dai pode vir a promover. Porém, o que meu Si Fu me disse ainda no “Cham Kiu” a respeito de usar os “Olhos do Zelo”, ou seja, olhar com o coração e não apenas com os olhos. Possa ajudar um Si Fu de Kung Fu a desenvolver a habilidade de estar na medida e ver o que não está na medida. Sendo esta a chave para enxergar e saber corretamente. Isso chamamos de “San Ming 神明“. Mas esta, parece-me ser uma história para um outro dia...

So, going back to talking about “Sau” [守], it becomes very important at this point. This is because for a Si Fu of Kung Fu to be able to work in a broader process with his To Dai, he will need they to be open for that. So, perhaps the best word for To Dai's proper attitude is “Receptive”.
So, when a To Dai is receptive and Si Fu realizes it, he can enter a mysterious process called "Sam Dak" [心得]. And according to my Si Gung, “Sam Dak” [心得] can be understood as an experience perceived in the process of transmission and learning.
Finally, I could talk about many important skills for a Si Fu of Kung Fu [as I understand it], such as the ability to have a big heart and a bad memory, for every hurt in his heart that a To Dai can come to promote against him. However, what my Si Fu still told me in “Cham Kiu Domain” about using the “Eyes of Zeal”, that is, looking with the heart and not just with the eyes. Can help a Si Fu of Kung Fu to develop the ability to be in the measure and see what is not in the measure. This is the key to seeing and knowing correctly. This we call “San Ming 神明“. But this, it seems to me, is a story for another day ...




The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei“
moyfatlei.myvt@gmail.com

quinta-feira, 22 de abril de 2021

KEITH MARKUS: CEREMONIAL ACTS IN MY JOURNEY OF LIFE



 

Momento de uma Cerimônia de Baai Si, em que meu Si Fu aceita o chá oferecido por mim. 
O simbolismo desta foto é a minha aceitação como seu Discípulo e como legatário do Sistema Ving Tsun.

Moment of a Baai Si Ceremony, when my Si Fu accepts the tea offered by me.
The symbolism of this photo is my acceptance is me becoming his Disciple
 and as the legatee of the Ving Tsun System.


By
Keith Markus
Disciple of Master Thiago Pereira


Fui criado em uma cidade do interior, afastada da agitação dos grandes centros e da pressa que nos é característica nos dias de hoje. Minhas primeiras memórias datam do início dos anos 80, tempo do qual me lembro com detalhes vívidos, absorvidos e guardados por uma memória construída a cinco sentidos, trabalhando em sinergia com o combustível da curiosidade infantil.
Desde aquele tempo que tudo o que era abstrato despertava enormemente a minha atenção, pois o que é abstrato não é palpável. Ora, mas se algo não era palpável, como era possível sentir? De onde vinha a felicidade de se cantar um “parabéns para você” em um aniversário, ou a satisfação de ver outras pessoas sorrirem? De onde vinha a motivação para participar dos desfiles cívicos, para jogar bolinha de gude sem valer nada, ou marcar um gol no futebol, já que, a rigor, tudo aquilo parecia não ter uma utilidade real?

I was raised in a city in the countryside, away from the hustle and bustle of big cities and the rush that is characteristic of us today. My first memories date back to the early 80's, a time I remember with vivid details, absorbed and kept by a memory built to five senses, working in synergy with the fuel of children's curiosity.
Since that time, everything that was abstract attracted my attention enormously, because what is abstract is not palpable. Why, but if something was not palpable, how was it possible to feel? Where did the happiness of singing “congratulations to you” on a birthday come from, or the satisfaction of seeing other people smile? Where did the motivation come from to participate in civic parades, to play marbles for nothing, or to score a goal in football game, since, strictly speaking, all that seemed to be of no real use?

Encerramento das atividades do ano de 2017 e entrega dos Nomes Kung-Fu dos três primeiros discípulos da 13ª Geração de Ving Tsun da Linhagem Moy Yat na América Latina. Apesar de não ser oficialmente uma cerimônia, o evento portava um forte simbolismo para mim, tanto por ocorrer em minha casa, como por representar o encerramento de um ciclo e início de outro. 

Closing of the activities of the year 2017 and delivery of the Kung-Fu Names of the first three disciples of the 13th Generation of Ving Tsun of the Moy Yat Lineage in Latin America.
 Although it was not officially a ceremony, the event carried a strong symbolism for me, both because it happened at my home and because it represented the end of one cycle and the beginning of another.


Bem, naquele tempo eu não pensava em nada disso com tanta profundidade, mas conforme o tempo foi passando, ao adquirir ferramentas de pensamento para ver as coisas de forma crítica, finalmente completei o Ensino Médio, àquela época conhecido como “Segundo Grau”, e me neguei a participar da formatura. Parecia desnecessário e enfadonho. Consegui a façanha de não ir à minha própria formatura, e até hoje tenho a sensação de que faltou algo no encerramento daquele ciclo da minha vida acadêmica.
Mais tarde, ingressei na carreira Militar, e me deparei com uma cultura simbólica muito intensa, e foi nessa situação que pude compreender melhor o poder dos atos simbólicos como “marcos” nos pontos de virada dos ciclos, e como ferramentas de preparação mental para o que está por vir e de encerramento do que já foi. 

Well, at that time I didn't think about any of this in such depth, but as time went on, when I acquired thinking tools to see things critically, I finally finished high school, at that time known as “High School”, and I refused to attend graduation. It seemed unnecessary and boring. I achieved the feat of not going to my own graduation, and even today I have the feeling that something was missing at the end of that cycle of my academic life.
Later, I entered the military career, and I came across a very intense symbolic culture, and it was in this situation that I was able to better understand the power of symbolic acts as "milestones" at the turning points of the cycles, and as tools of mental preparation for the that is to come and the closing of what has already been.


Foto tirada na ocasião do meu acesso ao Domínio Biu Ji. Para mim, além de representar o início de um novo ciclo, esta foto denotava também um ato de confiança de meu Si Fu e de meu Si Gung em minha jornada como praticante de Ving Tsun, renovando minha sensação de responsabilidade perante a linhagem Moy Yat.

Photo taken at the time of my access to the Biu Ji Domain. For me, in addition to representing the beginning of a new cycle, this photo also denoted an act of trust by my Si Fu and my Si Gung in my journey as a practitioner of Ving Tsun, renewing my sense of responsibility towards the Moy Yat lineage.


Desde o toque de corneta para despertar, o hasteamento da bandeira para iniciar o expediente, ao seu arriamento (ou arriação) ao término, as formaturas de promoção e de celebração, tudo isso trouxe para mim a sensação de início e fim, de hora de começar e hora de dar uma pausa, e a hora de recomeçar.
Mais tarde ao encontrar a Arte Marcial que tanto amo, o Ving Tsun, pude mais uma vez ter contato, de uma forma muito especial, com as cerimônias. 
Assim como em outros momentos de minha vida, percebi o valor das cerimônias, mas dessa vez de uma forma ainda mais especial, pois agora eu participava desde concepção e o planejamento das cerimônias, passando pelo estudo de cada componente do processo, até a avaliação do significado do ciclo, não somente para mim, mas para membros e não-membros do nosso universo marcial, chamado Família Kung-Fu.
Então, posso dizer que hoje, através desse “prisma Kung-Fu” consigo entender melhor aquelas questões que despertavam minha curiosidade na infância, pois hoje sei que o que diferencia o ser humano dos outros animais é a capacidade de enxergar sentido em atos simbólicos através das cerimônias.

From the sounding of the bugle to wake up, the raising of the flag to start the day, to its dropping at the end, the promotions and celebrations graduations, all this gave me the feeling of beginning and ending, of to start and it's time to take a break, and it's time to start over.
Later on, when I found the Martial Art that I love so much, Ving Tsun, I was once again able to have a very special contact with the ceremonies.
As in other moments of my life, I realized the value of the ceremonies, but this time in an even more special way, because now I participated in the design and planning of the ceremonies, going through the study of each component of the process, until the meaning of the cycle, not only for me, but for members and non-members of our martial universe, called the Kung-Fu Family.
So, I can say that today, through this “Kung-Fu prism” I can better understand those issues that aroused my curiosity in childhood, because today I know that what differentiates human beings from other animals is the ability to see meaning in symbolic acts through of the ceremonies.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

VITOR SÁ: “What is a traditional ceremony for me?”


By
Vitor Sá
disciple of Master Thiago Pereira


Eu me chamo Vitor Sá, tenho trinta e quatro anos, sou praticante de Ving Tsun desde o final do ano de 2015 e em quatro de novembro do ano de 2017 realizei o meu Baai Si, me tornando discípulo de meu Si Fu e Membro Vitalício da Família Moy Fat Lei. No próximo dia vinte quatro de abril darei mais um importante passo dentro da minha jornada como praticante de Ving Tsun. Este passo, prestes a ser dado, será formalizado em um evento[Instrumento Estratégico] que chamamos de “Ato Cerimonial”. No caso da minha Família Kung Fu, será o Vigésimo Primeiro Ato Cerimonial.
Antes de iniciar minha trajetória como praticante de Ving Tsun, pratiquei outras artes marciais e nunca vivenciei experiências semelhantes aos “Atos Cerimoniais”. O que estava acostumado a vivenciar eram avaliações e exames de faixa, e que fique registrado: sempre foram boas experiências, bons momentos que marcaram minha vida. No entanto, eu nunca tive a oportunidade de me envolver tanto com esses eventos.
Quando me tornei um praticante de Ving Tsun, imaginava que passaria por eventos semelhantes, afinal eu pensava: Para eu me tornar um praticante graduado terei que passar por exames e avaliações. De fato, as avaliações existem, mas não é o mais importante. Desde 2016, ano em que participei da minha primeira cerimônia, posso afirmar que em cada oportunidade é uma nova experiência, cada evento me proporciona um novo significado. Mas por que?
Para uma pessoa leiga, ao assistir uma cerimônia, pensa-se somente no que está acontecendo naquele momento, o evento em si, a celebração. Para nós praticantes, um “Ato Cerimonial” começa bem antes, já que os participantes da celebração é que são responsáveis por organizar o evento. E termina bem depois, já que após a celebração, é feito o que chamamos de “pós-evento”, onde temos a oportunidade de analisar tudo o que foi feito. Portanto um “Ato Cerimonial” exige, ao meu ver, um nível de atenção tão grande que acaba nos proporcionando experiências inéditas e o descobrimento de habilidades que muitos nem sabem que possuem.

My name is Vitor Sá, I am thirty-four years old, I have been practicing Ving Tsun since the end of 2015 and on the 4th of November of 2017 I realized my Baai Si, becoming a disciple of my Si Fu and a special student of Moy Fat Lei family. On the twenty-fourth of April I will take another important step in my journey as a practitioner of Ving Tsun. This step, about to be taken, will be formalized in an event [Strategic Tool] that we call “Ceremonial Act”. In the case of my Kung Fu Family, it will be the Twenty-First Ceremonial Act.
Before starting my journey as a practitioner of Ving Tsun, I practiced other martial arts and never had experiences similar to the “Ceremonial Acts”. What I was used to experiencing were assessments and exams, and let it be recorded: there have always been good experiences, good moments that have marked my life. However, I never had the opportunity to get so involved with these events.
When I became a Ving Tsun practitioner, I imagined that I would go through similar events, after all I thought: For me to become a graduate practitioner, I will have to pass exams and assessments. Indeed, evaluations do exist, but it is not the most important. Since 2016, the year I participated in my first ceremony, I can say that every opportunity is a new experience, each event gives me a new meaning. But why?
For a lay person, when attending a ceremony, one thinks only of what is happening at that moment, the event itself, the celebration. For us practitioners, a “Ceremonial Act” starts well before, since the participants in the celebration are responsible for organizing the event. And it ends much later, since after the celebration, what we call “post-event” is done, where we have the opportunity to analyze everything that has been done. Therefore, a “Ceremonial Act” requires, in my view, a level of attention so great that it ends up providing us with unprecedented experiences and the discovery of skills that many do not even know they have.
Meu primeiro “Ato Cerimonial” foi em nove de abril de dois mil e dezesseis[FOTO], foi a primeira cerimônia da minha Família Kung Fu, a Família Moy Fat Lei, que nascia como a primeira Família Kung Fu de décima terceira geração na América Latina. Ali, me dei conta de que todo o processo era bem diferente do que eu estava acostumado. Na ocasião, eu e meus irmãos Kung Fu tivemos a orientação dos nossos Si Suk, principalmente do Si Suk Rodrigo Moreira e do Si Suk Fábio Sá. Eu lembro sempre da tarde de sábado junto ao Si Suk Rodrigo em que trabalhamos duro no transporte dos itens do Mo Gun até o local da cerimônia. E lembro bem, também, do momento em que cheguei ao local poucas horas antes do evento começar e me deparei com vários Si Suk trabalhando no preparo e na montagem dos itens para que tudo saísse bem durante o “Ato Cerimonial”. Logo pude perceber que a cerimônia, para mim, já havia começado.

My first “Ceremonial Act” was on April 9th of two thousand and sixteen [PHOTO ABOVE], it was the first ceremony of my Kung Fu Family, the Moy Fat Lei Family, which was born as the first thirteenth generation Kung Fu Family in Latin America. There, I realized that the whole process was quite different from what I was used to. At the time, my Kung Fu brothers and I had the guidance of our Si Suk, mainly Si Suk Rodrigo Moreira and Si Suk Fábio Sá. I always remember Saturday afternoon at Si Suk Rodrigo, where we worked hard to transport Mo Gun's items to the ceremony site. And I remember well, too, the moment I arrived at the place a few hours before the event started and I came across several Si Suk working on the preparation and assembly of the items so that everything went well during the “Ceremonial Act”. I soon realized that the ceremony, for me, had already started.

Lembro que haviam muitas pessoas presentes. Além de meu Si Fu e meu Si Gung, estavam presentes outros importantes Mestres, além de todos os outros convidados. Participaram daquele “Ato Cerimonial”, minha Si Je Jaqueline, meu Si Hing Pedro Freire e meus irmãos kung fu mais novos Luan, Pedro Pavioti e André. Durante a cerimônia pude perceber a importância do evento, me lembrei dos meus antigos exames de faixa e pude concluir o quanto aquela nova experiência era bem mais profunda e complexa do que tudo que eu havia passado anteriormente durante a prática em outras artes marciais.

I remember that there were many people present. In addition to my Si Fu and my Si Gung, other important Masters were present, in addition to all the other guests. In that “Ceremonial Act”, my Si Je Jaqueline, my Si Hing Pedro Freire and my younger kung fu brothers Luan, Pedro Pavioti and André. During the ceremony I could see the importance of the event, I remembered my old belt exams and I was able to conclude how much more profound and complex that new experience was than what I had previously gone through while practicing in other martial arts.

[foto oficial com Mestre Thiago Pereira, Vitor e seus familiares no dia de seu 'Baai Si']

[official photo with Master Thiago Pereira, Vitor and his family on the day of his 'Baai Si']

Agora, estou aqui, cinco anos depois, próximo de mais um “Ato Cerimonial” da minha Família Kung Fu, onde irei acessar um novo domínio do Sistema  Ving Tsun. Mais maduro (porém com muito a aprender), sou grato por ter chegado até aqui, com a confiança de meu Si Fu e ciente de que estou vivenciando mais uma experiência incrível. Sigamos Juntos!

Now, I am here, five years later, next to another “Ceremonial Act” of my Kung Fu Family, where I will access a new domain of the Ving Tsun System. More mature (but with a lot to learn), I am grateful to have arrived here, with the confidence of my Si Fu and aware that I am having another incredible experience. Let's Go Together!

terça-feira, 6 de abril de 2021

10 years of MYVT Meier School: This is for the crazy ones.

Certa vez, cheguei em meu antigo apartamento em Jacarepaguá e olhei ao meu redor... Tudo em minha casa havia sido comprado com o dinheiro que ganhara com os proventos do recém inaugurado Núcleo Méier. As paredes do meu apartamento, haviam sido pintadas e decoradas por mim mesmo. Não por necessidade, mas porque eu passei a acreditar de verdade na energia que colocamos nas coisas, só quando montei e remontei a sala da Rua Medina onde o Núcleo Méier começou...  Pois não é que eu nunca tivesse participado de nenhuma reforma de um Mo Gun, mas ali naquela sala, não tinha o Si Fu ou a Si Suk Ursula para orientar. Ali, eu comecei a compreender a desafiadora tarefa de entregar um Mo Gun montado no prazo, sem deixar de prover Vida Kung Fu respeitando o momento de cada um...
E também foi no Núcleo Méier, que aprendi a ficar sozinho... Eu não entendia, que o trabalho de um profissional de artes marciais, era muito importante exatamente nesse momento de vazio. Inconscientemente, eu achava que minha função era a de dar aulas de Ving Tsun.  Por isso, quantas não foram as tardes que passei lendo livros aguardando o horário entre as práticas do período da tarde e o da noite, quando poderia estar produzindo? Talvez por isso, quando os praticantes começaram a desistir da prática um a um, eu tenha me assustado naquela tarde de 2012...

Once, I arrived at my old apartment in Jacarepaguá neighborhood and looked around me ... Everything in my house had been bought with the money I had earned with the proceeds from the recently opened MYVT Meier School. The walls of my apartment had been painted and decorated by myself. Not out of necessity, but because I really started to believe in the energy we put into things, only when I set up and reassembled the room on Rua Medina where MYVT Meier School started ... It is not that I never participated in any renovation of a building of a Mo Gun, but there in that room, I didn't have Si Fu or Si Suk Ursula to guide me. There, I began to understand the challenging task of build a Mo Gun assembled on time, while still providing Kung Fu Life respecting the moment of each one ...
And it was also at MYVT Meier School, that I learned to be alone ... I did not understand, that the work of a martial arts professional, was very important exactly in this empty moment. Unconsciously, I thought it was my job only to teach Ving Tsun. So, how many were the afternoons that I spent reading books waiting for the time between the practices of the afternoon and the night. Maybe that's why, when the practitioners started to give up the practice one by one, I got scared that afternoon of 2012 ...


Eu me transformava pouco a pouco, sem perceber, a cada contato com um novo praticante. Pessoas sentavam-se a minha frente, e compartilhavam situações as vezes muito particulares, e muitas vezes esperavam que alguma fala minha resolvesse seus problemas. No início isso me assustava muito. Pois não me sentia digno de tais compartilhamentos. Isso acontecia porque via em meu Si Fu Julio Camacho, alguém quase perfeito, e quando olhava para mim e via tanto a melhorar, me sentia quase um impostor. Nessas horas, eu procurava deixar de lado meus devaneios e ouvia atentamente o que a pessoa estava dizendo. Procurava tratar com muito respeito não só cada palavra dita, mas cada movimento que alguém demonstrava quando fazia um Siu Nim Tau por exemplo... Pois a movimentação corporal de alguém, cada vez mais, parecia me falar a respeito desta pessoa. 

I was transforming myself little by little, without realizing it, with every contact with a new practitioner. People sat in front of me, and shared situations that were sometimes very private, and often expected some speech from me that would solve their problems. At first it scared me a lot. For I did not feel worthy of such shares. This was because I saw in my Si Fu Julio Camacho, someone almost perfect, and when I looked at me and saw so much missing, I felt myself almost an imposter. At such times, I tried to put aside my daydreams and listened carefully to what the person was saying. I tried to treat with respect not only every word said, but every movement that someone showed when making a Siu Nim Tau for example ... Because someone's body movement, more and more, seemed to tell me about this person.
[Si Fu visita o primeiro endereço do Núcleo Méier em seu primeiro ano]
[Si Fu visits the Meier School in its first year]

 Eu sempre quis ser um lutador com um visual como o do ator Loren Avedon ou do Patrick Swayze em
“Matador de Aluguel”[Road House, 1989] mas por sorte, percebi que não era meu papel ser mais habilidoso do que alguém que cruzava aquela porta. Eu acreditava que o importante era apresentar a essa pessoa, uma perspectiva do que as artes marciais poderiam ser, que ela não encontraria em nenhum outro lugar. Então, passei a me dedicar a entender melhor o Sistema Ving Tsun e seus pormenores na condição de transmissor e não de um aspirante a lutador. Eu acabei indo tão fundo nisso, que você poderia me ver presente  em quase todos os seminários no Rio de Janeiro... Mas acho que exagerei...Mais tarde, meu Si Fu me chamaria a atenção pois eu havia deixado de pensar como “praticante”. Eu estava sempre perguntando a ele o “faat” [法] de algum tópico. Não me interessava mais praticar apenas, eu estava obcecado em entender apenas como transmitir.

I always wanted to be a fighter with a look like that of actor Loren Avedon or Patrick Swayze in
Road House, 1989. But luckily, I realized that it was not my role to be more skilled than someone who came through that door. I believed that the important thing was to present this person with a perspective of what the martial arts could be, that he would not find anywhere else. So, I started to dedicate myself to better understand the Ving Tsun System and its details as a tutor and not an aspiring fighter. I ended up going so deep into it, that you could see me present at almost all the seminars in Rio de Janeiro ... But I think I exaggerated ... Later, my Si Fu would call my attention because I had stopped thinking like a “ practitioner ”. I was always asking him the “faat” [法] of any topic. I was no longer interested in just practicing, I was obsessed with understanding just how to pass down.

Sobre o aluguel, meu pai acreditava que em três meses eu iria falhar.... Acho que para um pai, as vezes é difícil enxergar o potencial do filho... Mas eu nunca atrasei o aluguel. E sobre esse tema, talvez você que está lendo nunca entenda, mas houve um momento em que sai de um banco feliz por ter conseguido arcar com os aluguéis do Núcleo Méier e do Núcleo Barra de uma vez só em um momento em que foi necessário.... E eu que estava morrendo de medo ao assinar o meu primeiro contrato de aluguel em 2011... Me sentia apenas um ano depois, confiante para ser o locatário também do Núcleo Barra entre Outubro de 2012 e o primeiro semestre de 2015... 
Eu avisei que talvez você não entenderia o que senti, mas eu sai de Rocha Miranda, dinheiro era pra ser algo pesado e sofrido e não leve e fluído.

About the rent, my father believed that in three months I would fail .... I think that for a father, it is sometimes difficult to see his son's potential ... But I never delayed the rent. And on this subject, perhaps you who are reading will never understand, but there was a moment when I left a bank happy to be able to afford the rentals of MYVT MEIER SCHOOL and MYVT BARRA SCHOOL at once at a time when it was necessary. ... And I was scared to death when signing my first rental agreement in 2011 ... I felt just a year later, confident to be the tenant also at MYVT BARRA SCHOOL between October 2012 and the first half of 2015. ..
I warned you that maybe you wouldn't understand what I felt, but I was born in the poor neighborhood of Rocha Miranda, and money was supposed to be heavy and painful and not light and fluid.

[Visita surpresa de Si Fu ao Núcleo Méier em seu segundo ano]

[Si Fu visits by surprise the Meier School in its second year]


Em alguns momentos eu passei do ponto... Eu não era o “Si Fu” naquele Mo Gun. Eu era um representante do meu Mestre. Por isso, eu era o “Daai Si Hing”. O praticante mais antigo do local que cuida dos mais novos [Digamos assim]. Eu tentava dar o meu melhor para representar meu Si Fu, porém mais tarde percebi, que por insegurança fui além do que devia. Alguns praticantes conseguiram estabelecer um vínculo direto com Si Fu, outros porém, se perderam na confusão de relações que a minha inexperiência propiciava. Já que em vários momentos, sem perceber, usurpava um papel ou função, que não eram as do “Daai Si hing”.

In a few moments I went over the point ... I was not the "Si Fu" in that Mo Gun. I was a representative of my Master. So I was the "Daai Si Hing". The oldest practitioner in the place who takes care of the youngest [Let's say so]. I tried to do my best to represent my Si Fu, but later I realized that out of insecurity I went further than I should have. Some practitioners managed to establish a direct link with Si Fu, others, however, were lost in the confusion of relationships that my inexperience provided. Since at various times, without realizing it, I usurped a role or function, which were not those of the “Daai Si hing”.

Acho que você acaba ficando mais forte, com mais fibra e com mais determinação quando você se torna responsável por um Núcleo da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence.... Você pode estar tendo um dia ruim, vivendo um momento difícil... Mas quando a campainha toca e você ouve aquela pessoa com sua mochila dizendo: “Oi, Si Hing!”. Você sente a energia voltando, não por você, mas pelo compromisso com a missão que você se propôs a cumprir.
Nessa jornada, aprendi que lidamos com os sonhos das pessoas, com seus potenciais, com suas descobertas e com seu desenvolvimento... E nesse mundo, não acredito que se possa dar menos do que 100% a alguém que cruzou a porta do Núcleo que você dirige.

I think you end up getting stronger, with more fiber and with more determination when you become responsible for a Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence School .... You may be having a bad day, living a difficult time ... But when the doorbell rings and you hear that person with his backpack saying, "Hi, Si Hing!" You feel the energy coming back, not for you, but for the commitment to the mission that you set out to accomplish.
In this journey, I learned that we deal with people's dreams, with their potentials, with their discoveries and their development ... And in this world, I don't believe that you can give less than 100% to someone who crossed the door of the Nucleus that you drive.


Eu teria outras histórias para contar, mas por hora, quero apenas dizer que sou o primeiro diretor de Núcleo da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence saído de Rocha Miranda a completar dez anos nessa função. E não me refiro ao bairro, mas aos limites que carrego dentro de mim... 

I would have other stories to tell, but for now, I just want to say that I am the first director director at Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence from Rocha Miranda neighborhood to complete ten years in this function. And I don't mean the neighborhood, but the limits that I carry within me ...

 


The Disicple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei
moyfatlei.myvt@gmail.com

quarta-feira, 31 de março de 2021

MOY LIN MAH FAMILY'S GROUNDBREAKING FORMAT FOR MARTIAL ARTS CEREMONIES

[“Fim de semana fazendo o que se ama.” - 
Escreveu Mestra Ursula Lima em uma de suas redes sociais]

["Weekend doing what you love." -
Master Ursula Lima wrote on one of her social networks] 
 
Recebi um convite muito especial alguns dias atrás: Ser Testemunha Honorável na Cerimonia da Família Moy Lin Mah. E chamo este convite de especial, pois se em um primeiro momento o que me fazia sentir bem em meio a esta Família Kung Fu era a figura da Si Suk Ursula. Logo depois, o acolhimento de seus To Dai, também me fazia sentir em casa. Por isso, durante toda a década passada, me orgulho em dizer que participei de vários momentos desta Família Kung Fu. E por conta disso, todas as vezes em que fui convidado para ser Testemunha de alguma Cerimonia da Família Moy Lin Mah, sempre recebi o convite com alegria. Porém, como realizar uma Cerimonia Tradicional, num momento como este em que estamos vivendo?

I received a very special invitation a few days ago: To be an Honorable Guest at the Moy Lin Mah Family Ceremony. And I call this invitation special, because if at first what I felt good about in this Kung Fu Family was the figure of Si Suk Ursula. Soon afterwards, the welcoming of his To Dai, also made me feel at home. That is why, throughout the past decade, I am proud to say that I participated in several moments of this Kung Fu Family. And because of that, whenever I was invited to be a Honorable Guest of some Moy Lin Mah Family Ceremony, I always received the invitation with joy. However, how to carry out a Traditional Ceremony, at a time like this where we are living? 
A Família Moy Lin Mah dispôs duas câmeras distintas filmando os presentes no Mo Gun em Copacabana por dois ângulos diferentes. Além disso, me colocou e também as outras duas Testemunhas Honoráveis, em destaque na tela do ZOOM. Todos os demais que estavam ali para prestigiar[incluindo os familiares] ficavam minimizados na tela e sem imagem e som em seus microfones. Foi de fato, uma organização inspiradora pois enquanto isso, aqueles presentes no Mo Gun assistiam e ouviam as considerações através de uma TV disposta na parede[foto].
Meu Si Suk Ricardo Queiroz, que foi uma das testemunhas, chamou a atenção para o nível de organização aparentar um programa de TV.

The Moy Lin Mah Family had two different cameras filming those present at Mo Gun in Copacabana from two different angles. In daddition, it placed me and the other two Honorable Guests, highlighted on the ZOOM sceen. Everyone else who was there to watch [including family members] was minimized on the screen and without image and sound on their microphones. It was, in fact, an inspiring organization because in the meantime, those present at Mo Gun watched and listened to the considerations through a TV set on the wall [photo].
My Si Suk Ricardo Queiroz, who was one of the special guests, drew attention to the level of organization of a TV show. 
Alguns membros do Clã Moy Jo Lei Ou estiveram presentes prestigiando o evento e outros inclusive participando diretamente, como foi o caso de Claudio Teixeira[foto] meu irmão Kung Fu e Diretor do Núcleo Ipanema. Ele foi o orientador do Vitor Antonio para seu acesso ao Domínio Mui Fa Jong. 

Some members of the Moy Jo Lei Ou Clan were present attending the event and others even participating directly, as was the case with Claudio Teixeira [photo] my Kung Fu brother and Director of the Ipanema School. He was the advisor of Vitor Antonio for his access to the Mui Fa Jong Domain

Naquela manhã, Fernanda Lima, Heitor Furtado e Vitor Antonio, acessaram o Domínio Mui Fa Jong. 

That morning, Fernanda Lima, Heitor Furtado and Vitor Antonio, accessed the Mui Fa Jong Domain. 



Na imagem acima, vemos o momento em que a pedido de sua Si Fu, a Mestra Ursula Lima. Helena C. Ribeiro, demonstra o início da sequencia de movimentos do componente principal no boneco de madeira [Muk Yan Jong]. 

In the image above, we see the moment when at the request of her Si Fu, Master Ursula Lima. Helena C. Ribeiro, demonstrates the beginning of the sequence of movements of the main component in the wooden dummy [Muk Yan Jong]. 



Enquanto observava Helena executando os movimentos, duas coisas me ocorreram: Uma delas, é de que eu mesmo fiz essa demonstração a pedido de minha Si Suk Ursula na Cerimonia que deu acesso ao mesmo Domínio para a Helena, alguns anos atrás. E além disso, é de que foi nesse mesmo Muk Yan Jong que Si Suk Ursula aprendeu a mesma sequencia. 

While watching Helena perform the movements, two things occurred to me: One of them is that I made this demonstration myself at the request of my Si Suk Ursula at the Ceremony that gave Helena access to the same Domain, a few years ago. And besides, it is from that same Muk Yan Jong that Si Suk Ursula learned the same sequence. 
Sobre as Testemunhas Honoráveis, estas são convidados de honra que prestigiam todo o decorrer de um Ato Cerimonial, e no momento indicado pelo roteiro ou a pedido do Si Fu da Família que convidou. Eles tecem algumas palavras de conscientização para os promoventes. A fim de ajudá-los na tomada de consciência sobre seu novo momento na jornada do Sistema.
Ao ligar a câmera, me vi ladeado por duas figuras muito importantes do Grande Clã Moy Yat Sang: Um deles é o Si Suk Ricardo Queiroz e a outra era a Si Suk Maria Cristina. Apenas o fato deles serem de uma geração acima da minha, trouxe-me uma necessidade grande de estar atento ao que diria e a como diria. Além disso, Si Suk Ursula na abertura me anunciou como representante também de meu Si Fu, que não poderia estar on line naquela manhã. 
Si Suk Maria Cristina através de palavras suaves e delicadas, elogiou e pontuou aquilo que achava relevante para os promoventes naquela manhã. Si Suk Ricardo Queiroz foi mais assertivo . E acho que todos sempre se impressionam com a sua capacidade de prestar atenção em cada mínimo detalhe que ocorre em uma Cerimonia. É impressionante. 

About the Honorable Guests, they are guests of honor who attend the entire course of a Ceremonial Act, and at the time indicated by the script or at the request of the Si Fu of the Family that  invited them. They made some words of awareness for the practitioners, in order to help them in becoming aware of their new moment in the System's journey.
When I turned on the camera, I found myself surrounded by two very important figures from the Grand Clan Moy Yat Sang: One of them was Si Suk Ricardo Queiroz and the other was Si Suk Maria Cristina. Just the fact that they are from a generation above mine, brought me a great need to be aware of what I would say and how I would say it. In addition, Si Suk Ursula at the opening announced me as a representative also of my Si Fu, that she could not be online that morning.
Si Suk Maria Cristina through soft and delicate words, praised and punctuated what she found relevant for the promoters that morning. Si Suk Ricardo Queiroz was more assertive that morning. And I think everyone is always impressed by his ability to pay attention to every single detail that occurs at a Ceremony. It's impressive. 
Para mim, fica cada vez mais claro todo o trabalho do Si Gung ao implementar os Atos Cerimoniais e ajusta-los sempre aos novos tempos. Pois por incrível que pareça, tem sido justamente por conta deste momento de necessidade de distanciamento social, que muitas Família Kung Fu estão repensando e resignificando os paradigmas propostos por Si Gung. Para que independente do ajuste que seja feito, este possa sim, respeitar o momento que vivemos. Porém, sem perder os potenciais que são portados em um Ato Cerimonial enquanto instrumento estratégico. 

For me, all Si Gung's work in implementing the Ceremonial Acts and adjusting them to the new times is becoming increasingly clear. As incredible as it may seem, it has been precisely because of this moment of need for social distance, that many Kung Fu families are rethinking and reframing the paradigms proposed by Si Gung. So that regardless of the adjustment that is made, it can respect the moment that we live. However, without losing the potentials that are carried in a Ceremonial Act as a strategic instrument. 


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com





sexta-feira, 26 de março de 2021

Death should always be welcomed by the martial artist

 

Nos reunimos numa manhã de Domingo para celebrarmos a vida de Si Gung[foto]. São 58 anos de idade completados neste mês. Porém, quero destacar alguns momentos deste encontro através da plataforma Zoom. Sendo o primeiro deles, uma fala de Si Gung a respeito da “morte”. Pois na verdade, a cada ano tem um trecho de alguma fala de Si Gung que me toca mais dentre todas as outras. E dessa vez, essa chegou em excelente momento... 
Atravessando um momento de mudança muito forte em minha vida, me senti com muita sorte ao ouvir Si Gung dizer o seguinte: “...Nós começamos a cansar de fluir de acordo com as mudanças, e aí é quando 'nos tornamos velhos'... O Kung Fu, serve para que a gente aprenda a não se cansar...” - Mais tarde, ainda na mesma celebração, Si Suk Washington, discípulo de Si Gung,  teria dito o seguinte sobre o mesmo tema: “...Nós devemos ver o ciclo, e não o fato...“
Esses dois trechos a respeito de como encarar a “mudança” me tocaram profundamente. E imediatamente, me fizeram encarar meu momento atual de vida por uma perspectiva muito mais amadurecida. E essa tomada de consciência se consolidou quando Si Gung disse: “...Hoje vemos artistas marciais com medo de 'morrer'...” - Si Gung se referia a um processo de “morte simbólica”. Ele prosseguiu: “...A morte deve ser sempre bem-vinda... A 'Vida Kung Fu' é o nosso 'realm'. E lá, a morte sempre é bem-vinda...” - Concluiu. 

We got together on a Sunday morning to celebrate Si Gung's life [photo]. This month he completed 58 years of age . However, I want to highlight some moments of this meeting through the Zoom platform. The first one, a speech by Si Gung about "death". For in fact, each year there is an excerpt from some Si Gung speech that touches me most of all the others. And this time, it arrived at an excellent time ...
Going through a moment of very strong change in my life, it made me feel very lucky to hear Si Gung say the following: “... We started to get tired of flowing according to the changes, and that's when 'we got old '... Kung Fu is for people to learn not to get tired ... ”- Later, still in the same celebration, Si Suk Washington, Si Gung's disciple, would have said the following on the same theme:“ ... We must see the cycle, not the fact ... "
These two excerpts on how to face the "change" touched me deeply. And immediately, they made me look at my present moment in life from a much more mature perspective. And that awareness became consolidated when Si Gung said: "... Today we see martial artists afraid of 'dying' ..." - Si Gung was referring to a process of "symbolic death". He continued: “... Death must always be welcome ... 'Kung Fu Life' is our 'realm'. And there, death is always welcome ... ”-he concluded.
Si Suk Washington, compartilhou conosco uma série de slides a respeito da trajetória de Si Gung. Ele, que morou no Mo Gun e foi responsável pelo mesmo de diferentes formas e em diferentes momentos. Teve uma apreciação da carreira de seu Si Fu Leo Imamura que poucos tiveram. Graças as suas palavras seguidas por fotos, pude compreender melhor uma série de mudanças dentro de nossa instituição, que antes não compreendia muito bem. Porém, Si Suk Washington pontuou muito bem, todo um processo de ascensão de Si Gung no cenário das artes marciais do Brasil na década de '90 e de uma posterior ”decadência”. Palavra esta que Si Suk dizia não gostar quando Si Gung falava. - ”...Eu estou curtindo minha decadência...”- Disse Si Suk Washington parafraseando o que Si Gung dizia naqueles tempos. 
Para mim, ficou uma consciência muito clara de como Si Gung ao identificar um novo ciclo, redirecionou as suas energias apenas para a Família Kung Fu e não mais para o Mainstream. Como se soubesse esse momento ressurgiria de uma outra maneira no futuro. 

Si Suk Washington, shared with us a series of slides about Si Gung's trajectory. He, who lived at Mo Gun and was responsible for it in different ways and at different times. He had an appreciation of the career of his Si Fu Leo Imamura that few had. Thanks to his words followed by photos, I was able to better understand a series of changes within our institution, which I did not understand very well before. However, Si Suk Washington scored very well, a whole process of the rise of Si Gung on the Brazilian martial arts scene in the '90s and a subsequent “decadence”. A word that Si Suk said he didn't like when Si Gung spoke. - "... I'm enjoying my decay ..." - Si Suk Washington said to paraphrase what Si Gung used to say in those days.
For me, there was a very clear awareness of how Si Gung, when identifying a new cycle, redirected his energies only to the Kung Fu Family and no longer to the Mainstream. As if he knew that moment, he would resurface in another way in the future.
Este evento não teve apenas esse tom sério que apresento aqui, pois fomos também brindados com um emocionante relato do meu Si Baak Nataniel Rosa a respeito da trajetória de Si Gung ao longo da década de '90. Foi realmente muito especial vê-lo se emocionar ao rememorar diferentes momentos, falas e episódios que vivera com seu Si Fu. Eu mesmo me emocionei ouvindo seu relato. Pois percebia ali não o Mestre Senior, o super praticante, o Si Fu Nataniel... Mas sim, o discípulo que admira o seu Si Fu. E que estava renovando o respeito por todo o seu esforço. O que com certeza, inspirou a todos que o ouviam e assistiam. 

This event not only had that serious tone that I present here, as we were also treated to an exciting account of my Si Baak Nataniel Rosa regarding Si Gung's trajectory throughout the '90s. It was really very special to see him get emotional when he recalled different moments, speeches and episodes that he had lived with his Si Fu. I myself was thrilled to hear his report. For there was not perceived by the Senior Master, the super practitioner, the Si Fu Nataniel ... But yes, the disciple who admires his Si Fu. And that he was renewing respect for all his efforts. Which certainly inspired everyone who heard and watched him.


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei”
moyfatlei.myvt@gmail.com



An invitation from Moy Ke Lo Si Clan from Rio de Janeiro

 

Pouco mais de dois meses atrás, estava em um lugar que gosto muito de frequentar no bairro do Méier. Trata-se de um Pub em que todas as bandas ao vivo, tocam sempre pop/rock da década de '80. Então eu gosto bastante de estar lá. E qual não foi a minha surpresa, ao ser abordado pelo Romulo Marques? Ele que é Membro do Clã Moy Ke Lo Si e discípulo do meu Si Suk, o Mestre Senior Ricardo Queiroz, que lidera este Clã ao lado de sua esposa minha Si Suk Mo Flavia Brambilla. 
Eu e Romulo nos abraçamos, trocamos algumas poucas palavras, e a noite seguiu. Eu que gosto muito de cantar e dançar essas músicas segui me divertindo, ainda que em tantos outros momentos, Romulo tenha me percebido sempre formal e sério por conta de alguma atribuição do círculo marcial. 
Portanto, quando seu irmão Kung Fu Leo Macedo me procurou para me convidar a ser testemunha honorável em um Ato Cerimonial do Clã Moy Ke Lo Si, aceitei prontamente. Porém, achei por bem chamar a atenção de Leo ao fato de que não precisava ser tão formal comigo. Disse a ele que “Mestre” era um título e que “Si Hing” era como seus irmãos Kung Fu me chamavam. Mas que ele poderia inclusive, me chamar de “Thiago”. A partir daí, nossa interação foi mais relaxada. 
Então foi com muita felicidade que durante a cerimonia que aconteceu através da plataforma ZOOM, vi meu Si Suk Ricardo Queiroz exatamente falar algumas palavras sobre a ideia de que um “Mestre” não é um ser infalível... E aquilo me tocou muito...  Não porque eu não soubesse, mas por saber, a importância de todos ouvirem aquilo vindo dele: Um Mestre Senior.

Just over two months ago, I was in a place I really like to go and have fun  in the Méier neighborhood. It is a Pub in which all live bands always play pop / rock from the '80s. So I really enjoy being there. And what was not my surprise, when I was approached by Romulo Marques? He who is a member of the Moy Ke Lo Si Clan and a disciple of my Si Suk, Senior Master Ricardo Queiroz, who leads this Clan alongside his wife, my Si Suk Mo Flavia Brambilla.
Romulo and I hugged each other, exchanged a few words, and the night went on. I love to sing and dance these songs I kept having fun, although in so many other moments, Romulo always perceived me as formal and serious because of some attribution of the martial circle.
Therefore, when his Kung Fu brother Leo Macedo  came to me to invite me to be an honorable witness in a Ceremonial Act of the Moy Ke Lo Si Clan, I readily accepted. However, I thought it best to call Leo's attention to the fact that he didn't have to be so formal with me. I told him that "Master" was a title and that "Si Hing" was what his Kung Fu brothers called me. But he could even call me "Thiago". From then on, our interaction was more relaxed.
So it was with great happiness that during the ceremony that took place through the ZOOM platform, I saw my Si Suk Ricardo Queiroz exactly speaking a few words about the idea that a “Master” is not an infallible being ... And that touched me a lot .. Not because I didn't know, but because I knew, the importance of everyone hearing it coming from him: A Senior Master.


Os praticantes que participaram diretamente da Cerimonia, fossem ingressantes na Família Kung Fu ou promoventes a um novo nível, foram as pessoas abaixo:

The practitioners who participated directly in the Ceremony, whether they were new to the Kung Fu Family or promoted to a new level, were the people below:

1 Tomás Veiga 
2 Paulo da Silva Santos 
3 Cláudio Luis Goldschmidt 
4 Alexandre Pimenta Esperanço 
5 Renato Carlos Nascimento Lopes 
6 Diego da Silva Alonso Acesso ao 
7 Gabriel Winitskowski Cruz e Souza 
8 Eduardo Manelli Riva Acesso 
9 Ruan Francisco Costa de Mello 
1 Thiago Aleixo da Silva 
2 Alexandre Menucci 
3 Matheus Bogossian Porto 
4 Jorge José de Oliveira 
5 Michel Fonseca Arruda 
6 Leonardo Perrout Ribeiro de Castro 
7 Leonardo Perrout Ribeiro de Castro 
8 Edelson Carvalho Torres 
9 Maxwell Barthar Quintão Agostinho 
10 André Luiz de A. da Silveira Souto 
11 Iuri Miller de Farias 
12 Leonardo de Macedo C. Mendonça 
13 Marcelo Agostinho Barthar 
14 William Chen 
15 Phillipe Pinheiro Linhares da Silva 
16 Rômulo Marques de Souza 
17 Marcelo de Oliveira Azevedo 

Por conta dessa quantidade de participantes[Sem contar os orientadores que falavam algumas palavras também], a dinâmica do evento tinha uma precisão bem grande com relação ao tempo de fala de cada um. Com isso, pude perceber uma atenção maior dos particpantes, para não se perderem em seus pensamentos durante a fala. Pois com isso, o tempo acabaria e não conseguiriam concluir. Os que ficaram desatentos, percebiam imediatamente quando era avisado que o tempo de fala havia acabado, que dormiram em algum momento. 
Também tivemos a participação do Mestre Pedro Lamarão, membro do Clã Moy Ke Lo Si, tecendo palavras quando a mesma era passada a ele. Pedro que é um dos discípulos mais leais e longevos de seu Si Fu, meu Si Suk Ricardo Queiroz. E além dele, também foi muito bom ouvir outro Daai Si Hing da Família falando: Eduardo Esteves. Me chamou a atenção a mudança de atitude em seu discurso. Eduardo, que sempre brincava nos momentos em que tomava a palavra, desta vez estava mais assertivo em suas colocações. E não é que um tom leve seja ruim, mas naquele momento, sua conduta me pareceu mais apropriada ao peso do evento. 

Because of this number of participants [Not to mention the Kung Fu brothers who spoke a few words too], the dynamics of the event had a very high precision regarding the speaking time of each one. With that, I was able to perceive a greater attention of the participants, so as not to get lost in their thoughts during speech. For with that, time would end and they would not be able to conclude. Those who were inattentive immediately noticed when they were told that the time for speaking was over, that they had been inattentive at some point.
We also had the participation of Master Pedro Lamarão, a member of the Moy Ke Lo Si Clan, weaving words when it was passed on to him. Pedro who is one of the most loyal and long-lived disciples of his Si Fu, my Si Suk Ricardo Queiroz. And besides him, it was also very good to hear another Daai Si Hing from the Family speaking: Eduardo Esteves. The change in attitude in his speech caught my attention. Eduardo, who always joked when he took the floor, this time was more assertive in his statements. And it's not a light tone to be bad, but at that moment, his conduct seemed more appropriate to the weight of the event.
Em alguns momentos da Cerimonia, também nos foi possível apreciar as palavras da querida Si Suk Mo Flavia. Para mim, sempre fica o registro do quanto ela vibra, se emociona e segue junto, com os membros de sua Família Kung Fu. Graças as conversas promovidas pelo Instituto Moy Yat com a minha Si Taai Vanise Almeida, consegui entender melhor a função de “Si Mo” em uma Família Kung Fu. E vendo a Si Suk Mo Flavia em momentos assim, é sempre tocante acompanhar sua participação na Família que vai infinitamente além, de apoiar seu marido que é o “Si Fu”. E talvez percebendo isso, já tem uns anos que acompanho sempre Si Suk Ricardo dedicar um trecho da maioria de seus discursos a ela. Sempre enaltecendo seu companheirismo. 
Finalizo, falando do Si Suk Ricardo. Ele costuma  montar um raciocínio muito profundo sobre momentos como esses e colocá-lo em palavras. Porém, como meu Si Fu costuma dizer, você sente claramente quando a pessoa se emociona. Si Suk Ricardo costuma parar de falar, então o olhar dele se fixa em algum ponto a frente, aí seus olhos se enchem de água e ele se emociona. E nesta Cerimonia não foi diferente... Acredito muito na emoção que ele e sua esposa sentem em momentos assim... Por isso também, fiz questão de listar cada nome. Pois desde a coragem para fazer parte de uma Família Kung Fu, até a de dar mais um passo dentro do Sistema, merece ser registrado. E não há Si Fu e Si Mo que não fiquem tocados com algo assim, principalmente em um momento desafiador como o que cada Família Kung Fu atravessa nesse momento de formas diferentes...
Sorte a todos e meu singelo agradecimento pela oportunidade.

In some moments of the Ceremony, we were also able to appreciate the words of dear Si Suk Mo Flavia. For me, there is always a record of how much she vibrates, is moved and goes along with the members of her Kung Fu Family. Thanks to the conversations promoted by the Moy Yat Institute with my Si Taai Vanise Almeida, I was able to better understand the role of  a  the “Si Mo” in a Kung Fu Family. And seeing Si Suk Mo Flavia in moments like this, it is always touching to follow her participation in the Family that goes infinitely beyond, to support her husband who is the  "Si Fu". And perhaps realizing this, I have always followed Si Suk Ricardo for a few years and I always see him take space to dedicate a part of most of his speeches to her. Always praising her companionship.
I conclude by talking about Si Suk Ricardo. He tends to put together a very deep reasoning about moments like these and put it into words. However, as my Si Fu used to say, you clearly feel when the person is moved. Si Suk Ricardo usually stops talking, so his eyes is fixed somewhere ahead, then his eyes fill with water and he gets emotional. And this Ceremony was no different ... I believe a lot in the emotion that he and his wife feel in moments like this ... So also, I made a point of listing each name. Because from the courage to be part of a Kung Fu Family, to that of taking another step inside the System, it deserves to be registered. And there is no Si Fu and Si Mo that are not touched by something like that, especially in a challenging moment like the one that each Kung Fu Family goes through in that moment in different ways ...
Best wishes for everyone, and my thanks for the opportunity!



The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei”
moyfatlei.myvt@gmail.com