Apoie o Blog!

terça-feira, 15 de junho de 2021

Study of the different hand distances using the Ving Tsun Gwan [詠春棍]

 


Existe uma prática pouco falada chamada Cheung Kiu Sau[長橋手] que nos auxilia a trabalhar a longa distancia ao invés da média. Acontece que o Sistema Ving Tsun nos proporciona algo muito especial que é a possibilidade de interagir com elementos externos ao nosso corpo, começando pelo Muk Yan Jong [Boneco de madeira]. Com isso, ao executarmos a lista de movimentos do Domínio Mui Fa Jong, pela primeira vez é possível fazer isso com uma referencia clara, nos favorecendo a trabalhar fatores de monitoramento como: Posicionamento, Timing, Energia e ... Distancia. 
O que pouca gente talvez saiba, é a possibilidade de trabalhar esse conceito utilizando o  Ving Tsun Gwan [詠春棍]. Comecei a pensar nisso em 2009...Eu já tinha acesso ao Domínio Luk Dim Bun Gwan desde 2007, mas foi somente naquele ano durante um Encontro sobre esse Domínio, que meu Si Baak Nataniel Rosa ao me ver segurar o bastão, disse: “Estica os braços.”- Ele se referia a uma postura como a que meu Si Fu segura o Ving Tsun Gwan [詠春棍] na imagem acima. 

People does not talk to much about a practice called Cheung Kiu Sau[長橋手] that helps us to work long distance instead of average. It turns out that the Ving Tsun System gives us something very special, which is the possibility of interacting with elements external to our body, starting with Muk Yan Jong [Wooden Dummy]. Thus, when executing the list of movements of the Mui Fa Jong Domain, for the first time it is possible to do this with a clear reference, favoring us to work on monitoring factors such as: Positioning, Timing, Energy and... Distance.
What few people perhaps know is the possibility of working this concept using the Ving Tsun Gwan [詠春棍]. I started thinking about it in 2009...I had access to the Luk Dim Bun Gwan Domain since 2007, but it was only that year during a Meeting on this Domain that my Si Baak Nataniel Rosa, seeing me hold the Gwan, said: “ Stretch your arms.”- He was referring to a posture like my Si Fu holds the Ving Tsun Gwan [詠春棍] in the image above.
[Eu e Si Fu, 2004]
[Me and Si Fu, 2004]

Sabe, dizem que se você for muito inteligente, não pode aprender Ving Tsun. Pois você questionaria tudo ou sempre teria uma ideia melhor... O que lhe impossibilitaria de ouvir o outro. Porém, também é dito que se você for muito burro, tão pouco poderá praticar. Afinal, você não entenderia o que lhe estava sendo entregue.
Eu tinha apenas dezessete anos quando acessei o Biu Ji, eu não tinha maturidade para apreciar o que estava me sendo entregue... Felizmente, permaneci tempo suficiente para tal. Pois foi somente dez anos depois desse acesso já em 2012, que ao assistir um irmão Kung Fu mais novo fazendo o Siu Nim Tau, que pude perceber a relação de um dispositivo da segunda parte dessa sequencia com o  Cheung Kiu Sau[長橋手]... Então eu comecei a refletir sobre como ele aparecia em outros momentos da Trilogia Fundamental e eu nunca tinha reparado... Você pode dizer que eu sou um “Slow Learner”. Mas isso prova algumas coisas também: A paciência do Si Fu comigo e a minha persistência.

You know, they say if you're too smart, you can't learn Ving Tsun. Because you would question everything or always have a better idea... Which would make it impossible for you to hear the other. However, it is also said that if you are too dumb, you will not be able to practice either. After all, you wouldn't understand what was being handed to you.
I was only seventeen years old when I accessed Biu Ji, I didn't have the maturity to appreciate what was being handed to me... Fortunately, I stayed long enough to do so. Because it was only ten years after this access, in 2012, when watching a younger Kung Fu brother doing Siu Nim Tau, that I could see the relationship of a move in the second part of this sequence with Cheung Kiu Sau[長橋手]. .. So I started to reflect on how it appeared in other moments of the Fundamental Trilogy and I had never noticed... You can say that I am a “Slow Learner”. But that proves some things too: Si Fu's patience with me and my persistence.
[Si Fu durante Seminário de Luk Dim Bun Gwan em 2003]
[Si Fu during a seminar of Luk Dim Bun Gwan in 2003]

Eu lembro bem desse dia... Eu era o Si Hing responsável pelo Núcleo Méier, não era um Si Fu ainda, mas quase pulei na cadeira em que estava. Esse momento da “tomada de consciência” é sempre algo único...E quando a euforia havia tomado conta de mim e eu esquecera completamente que estava ali para cuidar do Kung Fu do praticante que estava a minha frente... Lembrei do posicionamento necessário para portar o Ving Tsun Gwan [詠春棍].... - “Será?“ - Perguntei a mim mesmo.

I remember that day well... I was the Si Hing responsible for the MYVT Meier School, I wasn't a Si Fu yet, but I almost jumped in the chair I was on. This moment of "awareness" is always something unique... And when the euphoria had taken hold of me and I had completely forgotten that I was there to take care of the Kung Fu of the practitioner who was in front of me... I remembered the necessary positioning to carry the Ving Tsun Gwan [詠春棍].... - “Maybe..” - I told myself.
[Si Fu durante Seminário de Luk Dim Bun Gwan em 2003]
[Si Fu during a seminar of Luk Dim Bun Gwan in 2003]

Após um período de alguns anos estudando a Trilogia Fundamental apenas na “Distancia Média“, tendemos a desconsiderar outras possibilidades para soltar o golpe. Portanto, mesmo quando estamos a a trabalhar o Cheung Kiu Sau[長橋手] já no Domínio Mui Fa Jong, desconsideramos sua particularidade e vamos para a distancia média a fim de fazer “Alguma Técnica de média distancia”. Um lugar comum, onde o cotovelo baixo nos favorece e já temos certa familiaridade com o que pode ser feito. Abrimos mão de explorar a possibilidade de disparar de longa distancia... Então, é como se nunca tivéssemos tido acesso ao Biu Ji. E isso acaba se refletindo no dia a dia: Pois ao nos depararmos com uma situação de emergência circunstancial, temos tanto medo da incerteza que ela promove, que desconectamos dela e tentamos resolver “sozinhos”...

After a period of a few years studying the Fundamental Trilogy only in the “Middle Distance”, we tend to disregard other possibilities to deliver the blow. Therefore, even when we are working on Cheung Kiu Sau[長橋手] already in the Mui Fa Jong Domain, we disregard its particularity and go to the middle distance in order to do “Some Medium Distance Technique”. A common place, where the low elbow favors us and we are already familiar with what can be done. We gave up exploring the possibility of long-distance strikes... So, it's as if we never had access to Biu Ji. And this ends up being reflected in everyday life: Because when we are faced with a circumstantial emergency situation, we are so afraid of the uncertainty it promotes, that we disconnect from it and try to solve it "alone"...

[Meu Si Fu Julio Camacho]
[My Si Fu Julio Camacho]

Quando usamos o bastão com os braços flexionados, abrimos mão dos potenciais que essa ferramenta oferece para usarmos nossa própria força. Meu Si Fu disse certa vez, que o  Ving Tsun Gwan [詠春棍] é uma “arma para velhos”. Segundo ele, o vigor do mais jovem, faz com que ele não se aproveite das tendências e dos pontos de apoio que a postura para portar o bastão parece favorecer. 
Portanto, acredito fortemente  que o Cheung Kiu Sau[長橋手]  nos ajuda a nos tornarmos mais corajosos. Afinal, a distancia longa nem sempre é confortável. Queremos sempre a segurança de estar perto, seja na prática do Ving Tsun ou na vida. 

When we use the Ving Tsun Gwan [詠春棍] with our arms bent, we let go of the potentials that this tool offers to use our own strength. My Si Fu once said that the Ving Tsun Gwan [詠春棍] is a “weapon for old people”. According to him, the youth's vigor means that he does not take advantage of trends and support points that the posture to carry the Ving Tsun Gwan [詠春棍]seems to favor.
Therefore, I strongly believe that Cheung Kiu Sau[長橋手] helps us to become more courageous. After all, the long distance isn't always comfortable. We always want the security of being close, whether in Ving Tsun practice or in life.


The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei”
moyfatlei.myvt@gmail.com



segunda-feira, 14 de junho de 2021

Consciousness in both hands from the study of Luk Dim Bun Gwan PART 1

Existe um nível de consciência que ganhamos a partir do uso do Ving Tsun Gwan [詠春棍], que passei a estar mais atento após uma conversa com meu Si Fu Julio Camacho. Me refiro a nossa capacidade de finalmente, estarmos mentalmente presentes nas duas mãos, simultaneamente.
Existe um ideograma que é o Sam[心] que pensamos imediatamente em traduzir como “Coração”, mas que quando consideramos o mesmo ideograma como “Consciência” , podemos entender que a mesma percorre pontos específicos do corpo de acordo com a nossa necessidade. 
Quando comecei no Ving Tsun, tive muita dificuldade em elaborar o que era mais importante a cada momento. A partir de minha sofrida primeira experiência com o Siu Nim Tau, comecei a aprender sem perceber, a importância de em meio a um conjunto de movimentos identificar o mais importante. 
Acontece que em um Sistema de variação como o Sistema Ving Tsun. Diferentes naturezas são apresentadas, e somos desafiados a percorrer um determinado Domínio[Ling Wik], com uma natureza muitas vezes diferente da nossa. Com isso, tendemos a nos prender a natureza que mais nos convém, e forçamos ela sobre a realidade sem nos ajustarmos ao que a situação está pedindo. 

There is a level of awareness that we gained from using Ving Tsun Gwan [詠春棍], which I became more aware of after a conversation with my Si Fu Julio Camacho. I'm referring to our ability to finally be mentally present on both hands, simultaneously.
There is an ideogram which is Sam[心] that we immediately think of translating as “Heart”, but when we consider the same ideogram as “Consciousness”, we can understand that it travels through specific points of the body according to our need.
When I started in Ving Tsun, I had a hard time working out what was most important at each moment. From my painful first experience with Siu Nim Tau, I began to learn without realizing the importance of, in the midst of a set of movements, identifying the most important.
It turns out that in a variation system like the Ving Tsun System. Different natures are presented, and we are challenged to traverse a certain Domain [Ling Wik], with a nature many times different from ours. In doing so, we tend to lock in the nature that suits us best, and force it on reality without adjusting to what the situation is asking for.


Durante muito tempo de minha jornada eu procurava resolver os problemas da mesma maneira. Eu não olhava para a situação, eu fazia o que achava que deveria. Então, mesmo quando ganhava, eu perdia. 
Isso se manifestava na parte técnica... Eu seguia usando “uma mão de cada vez”.  E isso me impedia de ver que eu não entendia as mãos movendo juntas... Era uma fazendo uma coisa e ao final a outra começava. Isso fez com que no Domínio Baat Jaam Do, eu tenha experimentado uma trajetória infernal, ao não conseguir manifestar corporalmente a ideia de “duas facas, um movimento”, que Si Fu me apresentou enquanto tomávamos uma sopa no Shopping Barra Square certa vez. 
E foi apenas com um estudo dedicado do “Luk Dim Bun Gwan” que percebi, com a ajuda de Si Fu, esse furo. 

For a long time on my journey I tried to solve problems in the same way. I didn't look at the situation, I did what I thought I should. So, even when I won, I lost.
This manifested itself in the technical part... I continued to use “one hand at a time”. And that prevented me from seeing that I didn't understand the hands moving together... It was one doing one thing and in the end the other started. This meant that in the Baat Jaam Do Domain, I experienced an infernal trajectory, when I was unable to express bodily the idea of “two knives, one movement”, which Si Fu introduced me to while we were having soup at  Barra Square Mall once.
And it was only with a dedicated study of “Luk Dim Bun Gwan” that I realized, with the help of Si Fu, this hole.

O “Luk Dim Bun Gwan” é um momento do Sistema em que você de certa forma recebe uma “última colher de chá”. Se você demora a aprender como eu, você tem a oportunidade de finalmente desenvolver a consciência nas duas mãos simultaneamente antes do Domínio “Baat Jaam Do”. Isso, acredito eu, favorece com que você tenha uma chance de /manusear as facas estando mentalmente presente em ambas. Isso ocorre a meu ver, porque sendo o bastão uma ferramenta única e com um formato único. Obriga você a segurá-lo e não soltá-lo mais. Veja: Você segura firme e isso não se aproxima, nem de longe, da variação durante do manuseio das facas. 
Então agora é como se o Sistema levasse você a entender que ao golpear, a outra mão “pode ir junto”, simplesmente por dar o Ving Tsun Gwan [詠春棍] para você segurar. E você poderá levar isso de volta para a prática do Chi Sau.
Contudo, ainda não consigo estar mentalmente presente nas duas mãos o tempo todo, acho que ninguém consegue fazer isso o tempo todo. Porém, o que de fato se torna possível, é perceber quando não o fazemos. Então você se pergunta: “Ei! O quanto estou consciente do que preciso aperfeiçoar a cada momento? O quanto estou consciente do furo que estou deixando?

The "Luk Dim Bun Gwan" is a moment in the System where you somehow get a "last chance". If you are slow learner like me, you have the opportunity to finally develop awareness on both hands simultaneously before the Domain “Baat Jaam Do”. This, I believe, favors giving you a chance to /handle the knives by being mentally present in both. This is, in my view, because the Gwan is a unique tool and with a unique shape. It forces you to hold it and not let go. See: You hold tight and it doesn't come close to variation when handling the knives.
So now it's as if the System has led you to understand that when striking, the other hand “can go along” with the first one. Simply by giving the Ving Tsun Gwan [詠春棍] for you to hold. And you can take that back to Chi Sau practice.
However, I still can't be mentally present on both hands all the time, I don't think anyone can do that all the time. However, what actually becomes possible is to notice when we don't. So you ask yourself, “Hey! How aware am I of what I need to improve at each moment? How aware am I of the hole I'm leaving in my moves?"




The disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei”
moyfatlei.myvt@gmail.com


 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

SENIOR MASTER URSULA LIMA: A PIONEER WOMAN

By
Thiago Pereira
 

Algum tempo atrás, falamos do grande projeto chamado “Conexão Marcial”, empreendido pelos Mestres Fabio Campi e Rodrigo Giarola. Este empreendimento tem por objetivo principal, conectar e transformar as pessoas através da experiência marcial (monitorada e personalizada). Na época, Mestre Fabio Campi nos explicou o seguinte sobre este projeto:  "...A ideia da 'Conexão Marcial' incialmente era ser um canal no Youtube que falasse sobre artes marciais e como que o estudo de uma arte marcial pode trazer benefícios para o praticante, dentro e fora do Dojo, Mo Gun ou academia. Depois a ideia evoluiu um pouco e hj a conexão marcial é uma empresa que visa trazer a relevância  das artes marciais dentro da formação e desenvolvimento das pessoas. Foi criada com o propósito de conectar pessoas através das artes marciais..." 
Já o Mestre Rodrigo Giarola complementa da seguinte maneira:  "Temos a formação da Moy Yat Ving Tsun e o sistema Ving Tsun como referência mas entendo que a experiência marcial transformadora pode ocorrer dentro de qualquer estilo de arte marcial, contanto que o trabalho seja realizado por um Mestre qualificado e que esteja alinhado com esse propósito..."

Some time ago, we talked about the great project called “Conexão Marcial”[Martial Connection], undertaken by the Masters Fabio Campi and Rodrigo Giarola. This project's main objective is to connect and transform people through a martial experience (monitored and personalized). At the time, Master Fabio Campi explained the following about this project: "... The idea of ​​'Martial Connection' was initially to be a YouTube channel that talked about martial arts and how the study of a martial art can bring benefits to the practitioner, inside and outside the Dojo, Mo Gun or academy. After an idea evolved a little and today a martial connection is a company that aims to bring a construction of martial arts to the formation and development of people. connecting people through martial arts... "
Master Rodrigo Giarola complements it as follows: "We have the training of Moy Yat Ving Tsun and the Ving Tsun system as a reference, but I understand that a transforming martial experience can occur within any style of martial art, as long as the work is performed by a qualified Master who is aligned with that purpose... "



Como este projeto também está presente no youtube no canal Conexão Marcial , esta semana foi apresentada uma entrevista com a Mestra Senior Ursula Lima no quadro “Mesa Marcial”.  Mestra Ursula Lima começou sua trajetória em 1995 e hoje com a qualificação de Mestre Classe Senior pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. Compartilha seu entendimento sobre a importância das artes marciais, pelo ponto de vista da primeira mulher da América Latina a alcançar esse ranking em nossa arte. E num momento de ressignificação do papel e potencial da mulher na sociedade contemporânea, sua entrevista pode ser tomada como um grande ponto de inspiração para mulheres ao redor do Brasil e do mundo. 

As this project is also present on youtube at Conexão Marcial channel, this week an interview with Senior Master Ursula Lima was presented on “Martial Table”. Master Ursula Lima began her journey in 1995 and today is qualified as a Senior Class Master by Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. She shares her understanding of the importance of martial arts, from the point of view of the first woman in Latin America to achieve this ranking in our art. And in a moment of resignification of the role and potential of women in contemporary society, her interview can be taken as a great point of inspiration for women around Brazil and around the world.


quarta-feira, 12 de maio de 2021

The student of Master Thiago Pereira who reinvented the “Black Belt Movie Session”

[Vitor Sá, seu irmão Kung Fu Dimitri Andrade e seu Mestre Thiago Pereira 
no momento em que a ideia para seu novo projeto surgiria]

[Vitor Sá, his Kung Fu brother  Dimitri Andrade and his Master Thiago Pereira
 at the moment when the idea for his new project would come up]

by the disciple of Master Thiago Pereira, 
Vitor Sá.


 Pouco mais de um ano se passou desde o início da pandemia do “Novo Corona Vírus”, pouco mais de um ano que nos perguntamos se e quando voltaremos a viver da forma como vivíamos antes da pandemia começar. Pouco mais de um ano que meu Si Fu reuniu a Família Kung Fu para conversar sobre o momento, até então, inédito para todos.
Uma das decisões tomadas nessa conversa foi que começaríamos a realizar, os hoje consolidados, “Encontros Temáticos Remotos” (ETRs). Em tempos de distanciamento social essa era uma medida quase óbvia: transformar os momentos programados de acesso e o provimento de vida kung fu, feitos presencialmente, em encontros online. Os primeiros ETRs eram todos conduzidos por meu Si Fu e, posteriormente, eu e meus irmãos kung fu passamos conduzir alguns destes encontros. É por conta desta situação que escrevo este texto.
Confesso que, no início do processo eu não consegui enxergar o potencial que existe em preparar e conduzir um ETR. Pode parecer obvio agora, mas eu não consegui enxergar no início. Meu pensamento a respeito se restringia, “apenas”, em ajudar meu Si Fu. Utilizei a palavra “apenas” porque não percebi o quanto meu Si Fu, ao propor que eu e meus irmãos kung fu passássemos a organizar e conduzir alguns ETRs, estava na verdade nos oferecendo mais um recurso para ajudar no desenvolvimento do nosso kung fu. Levei pouco mais de um ano para perceber que todo esse processo não deveria ser encarado como um trabalho e sim como uma mobilização.

A little more than a year has passed since the “New Corona Virus” pandemic began, just over a year since we asked ourselves if and when we will live the way we did before the pandemic started. A little more than a year that my Si Fu brought the Kung Fu Family together to talk about the moment, until then, unprecedented for everyone.
One of the decisions made in this conversation was that we would begin to hold, today consolidated, “Remote Thematic Meetings” (ETRs in portuguese). In times of social detachment, this was an almost obvious measure: transform the scheduled moments of access and the provision of kung fu life, done in person, into online meetings. The first ETRs were all conducted by my Si Fu and, later, my kung fu brothers and I started to conduct some of these meetings. It is because of this situation that I write this text.
I confess that, at the beginning of the process, I was unable to see the potential that exists in preparing and conducting an ETR. It may seem obvious now, but I couldn't see it at first. My thinking about it was "just" restricted to helping my Si Fu. I used the word “just” because I didn't realize how much my Si Fu, in proposing that my kung fu brothers and I started to organize and conduct some ETRs, was actually offering us another resource to help in the development of our kung fu. It took me just over a year to realize that this whole process should not be seen as work but as a mobilization.
[Inspirado pelo 'Cinema em Família Kung Fu' idealizado pelo seu Si Gung, o Mestre Senior Julio Camacho. Vitor Sá propõe o 'Sessão Faixa-Preta'. Um ETR para tratar da '    Perspectiva Kung Fu de 'Filmes B' de artes marciais das décadas de '80 e '90]

[Inspired by the 'Cinema with Kung Fu Family ' conceived by his Si Gung, Senior Master Julio Camacho. Vitor Sá created the 'Black Belt Movie Session'. An ETR to address the 'Kung Fu Perspective of' B Movies' of martial arts from the '80s and' 90s]

O ano de 2020 chegou ao fim e nós achávamos que a pandemia também chegaria. No entanto, junto com 2021 veio a “segunda onda” do Corona Vírus e minha Família Kung Fu junto ao nosso Si Fu organizamos uma nova “onda” de “Encontros Temáticos Remotos”. Nessa nova “onda” de ETRs, eu tive a ideia de realizar uma série de encontros com um tom mais descontraído, surgia então a “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”. O nome é uma referência ao programa exibido nos anos 80 na Rede Globo de televisão: “Sessão Faixa Preta”. Em conversa com meu Si Fu, defini o seguinte: seriam três encontros remotos, em cada encontro seria exibido cenas (selecionadas por mim) de famosos filmes B de artes marciais, e após a exibição abordaríamos a “perspectiva kung fu” de cada uma das cenas. Mas e quanto aos filmes, quais seriam?
Pensar nos filmes foi um momento muito especial para mim, pois fui consumido por um sentimento nostálgico e isso fez com que eu selecionasse três filmes que alimentaram minha imaginação durante a infância: “Kickboxer – O Desafio do Dragão”, “Retroceder Nunca, Render-se Jamais” e “O Grande Dragão Branco”. Acho que posso afirmar que estes são três grandes clássicos para qualquer amante de filmes de artes marciais. Para mim, estes filmes marcaram tanto que neste exato momento em que escrevo, só de lembrá-los, já me dá vontade de assisti-los novamente (talvez pela centésima vez).
A primeira “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei” foi exibida no dia 22 de abril de 2021, às 20:30h. Com previsão inicial de durar cerca de uma hora e meia, ficamos online por duas horas abordando a “perspectiva kung fu” através das cenas selecionadas do filme “Kickboxer – O Desafio do Dragão”. Já na segunda sessão, realizada no dia 06 de maio de 2021, foram as cenas do filme “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”. Em ambas as sessões eu fiz todo um esforço para realizar algo que entregasse conteúdo e proporcionasse satisfação para quem estivesse assistindo, mas também, fiz questão de aproveitar ao máximo o processo de preparação dessas sessões, que para mim têm sido verdadeiros momentos de estudo e enriquecimento de conteúdo.

The year 2020 has come to an end and we thought the pandemic would also come. However, together with 2021 came the “second wave” of Corona Virus and my Kung Fu Family together with our Si Fu, we organized a new “wave” of “Remote Thematic Meetings”. In this new “wave” of ETRs, I had the idea of ​​holding a series of meetings with a more relaxed tone, then the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family” appeared. The name is a reference to the program shown in the 1980s on Rede Globo television: “Black Belt Movie Session”. In conversation with my Si Fu, I defined the following: there would be three remote encounters, in each encounter scenes (selected by me) from famous B martial arts films would be shown, and after the exhibition we would approach the “kung fu perspective” of each of the scenes. But what about the films, what would they be?
Thinking about the movies was a very special moment for me, because I was consumed by a nostalgic feeling and that made me select three films that fueled my imagination during my childhood: “Kickboxer ”, “Never Retreat, Never Surrender ”and“ Bloodsport ”. I think I can say that these are three great classics for any martial arts movie lover. For me, these films have marked so much that at this very moment when I write, just to remember them, it makes me want to watch them again (maybe for the hundredth time).
The first “Black Belt Movie Session of the Moy Fat Lei Family” was shown on April 22, 2021, at 8:30 pm. With an initial forecast of lasting about an hour and a half, we stayed online for two hours approaching the "kung fu perspective" through the selected scenes from the movie "Kickboxer". In the second session, held on May 6, 2021, there were scenes from the film “Never Retreat, Never Surrender”. In both sessions I made every effort to do something that would deliver content and provide satisfaction for those who were watching, but also, I made a point of making the most of the preparation process of these sessions, which for me have been real moments of study and enrichment of content.

 

[Vitor Sá achou que neste vídeo do canal 'Kung Fu Life', seu Si Taai Gung Leo Imamura  faz uma relação bem clara entre o tema e  "perspectiva kung fu".]

[Vitor Sá thought that in this video on the channel 'Kung Fu Life', his Si Taai Gung Leo Imamura makes a very clear relationship between the theme and "kung fu perspective".]

 No próximo dia 27 de maio de 2021, teremos a exibição do terceiro e último episódio da “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”. Na ocasião iremos analisar as cenas do clássico “O Grande Dragão Branco” que muitos dizem que é um dos melhores filmes B de artes marciais já feito até hoje. Para aqueles que assistiram as duas primeiras sessões, acredito que essa terceira seja aquela de maior expectativa, a mais aguardada. Quanto a mim, tão importante quanto fazer uma boa apresentação é seguir fazendo bons estudos, bons aprofundamentos que contribuem com o meu desenvolvimento como artista marcial, esse é o ponto principal.
Para você que está lendo este artigo, eu o convido para estar junto comigo, no próximo dia 27 de maio de 2021, no terceiro e último episódio da “Sessão Faixa Preta da Família Moy Fat Lei”.
Sigamos juntos! 

Next May 27, 2021, we will have the exhibition of the third and last episode of the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family”. On the occasion we will analyze the scenes of the classic “The Great White Dragon” that many say is one of the best B martial arts films ever made. For those who attended the first two sessions, I believe that this third is the one with the greatest expectation, the most awaited. As for me, as important as giving a good presentation is to keep doing good studies, good insights that contribute to my development as a martial artist, that is the main point.
For you who are reading this article, I invite you to be together with me, on May 27, 2021, in the third and final episode of the “Black Belt Session of the Moy Fat Lei Family”.

Let's go together!


quarta-feira, 5 de maio de 2021

Si Fu of Ving Tsun System or a Si Fu of Kung Fu ?

 


[Si Fu contemplativo no Núcleo Ipanema]
[Si Fu contemplative at MYVT Ipanema School] 

Quando falamos em termos relacionados ao círculo marcial, a pior coisa que você pode fazer, é buscar seu significado em um site. Certa vez meu Si Gung me disse: “Existe a tradução do dicionário e a do seu Si Fu.” - Por isso, quando falamos do polivalente ideograma “Sau”[守], meu Si Fu costuma falar de “aderir”. Então, é como se qualquer conversa começasse com  “Sau”[守]. Se você não aderir, não se aproveita do que o outro está oferecendo, ainda que seja algo oposto ao que você pensaria. Você não conseguirá se apoiar nessa situação, para quem sabe gerar uma terceira coisa, que beneficie a todos. E num mundo de opostos, a ideia de  “Sau”[守], parece-me mais importante do que nunca. E se isso é importante em relações do dia a dia, imagine na relação entre Si Fu e To Dai.
Você então podia me ver ao longo dos anos, sem entender alguns movimentos do meu Si Fu. Eu começava por muitas vezes questionando e não aderindo. Não tinha nenhum senso de perspectiva, e por isso, não compreendia que ele tinha uma visão de um ponto muito mais amplo em relação ao meu. Ou quando já havia acontecido uma dedicação por parte dele de horas ou de dias, e ao ouvir a proposta, em poucos minutos apontava possíveis furos. 

Mais tarde, recebi a qualificação de: “Mestre Classe Qualificado” pela Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. Percebi então que assim como muitas pessoas, eu passaria a me confundir pelos anos seguintes, com algo muito importante: “De que se eu era um Si Fu do Sistema Ving Tsun ou um Si Fu de Kung Fu”. Então você pode pensar: “Ei! Do que esse cara está falando?”. - Bem, talvez não consiga explicar, algo que só eu vivi. 

When we speak in terms related to the martial circle, the worst thing you can do is to look for its meaning on a website. My Si Gung once said to me, "There is a translation of the dictionary and that of your Si Fu." - Therefore, when we speak of the versatile ideogram “Sau” [守], my Si Fu usually speaks of “adhere”. So, it is as if any conversation starts with “Sau” [守]. If you do not adhere, you'll not be able to take advantage of what the other is offering, even if it is something opposite to what you would think. You will not be able to rely on this situation, for those who know how to generate a third thing, which benefits everyone. And in a world of opposites, the idea of ​​“Sau” [守], seems to me more important than ever. And if this is important in everyday relationships, imagine the relationship between Si Fu and To Dai.
You could then see me over the years, without understanding some of my Si Fu's movements. I started by often questioning and not adhering. I had no sense of perspective, so I didn't understand that he had a much broader view than mine. Or when there was already a dedication on the part of him for hours or days, and after hearing some idea, in a few minutes I would point out possible mistakes.

Later, I was qualified with the qualification: “Qualified Master ” by Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence. I realized then that like many people, I would be confused for the following years, with something very important: "That if I was a Si Fu of the Ving Tsun System or a Si Fu of Kung Fu". So you can think, “Hey! What is this guy talking about? ”. - Well, I may not be able to explain, something that only I experienced.



[Eu, Si Fu e meu Jiu Paai].
[Si Fu, my Jiu Paai and I]

Você pode transmitir técnicas para alguém, e com a dedicação correta sua e de seu pupilo, tudo pode ser aprendido de maneira breve. Afinal, são técnicas. Porém com o tempo, percebi que mesmo que seu trabalho seja a tutela de um Sistema como o Ving Tsun, ainda assim o trabalho de um Si Fu[師父] de Kung Fu é bem mais amplo. Certa vez, era minha segunda ou terceira sessão no Domínio Baat Jaam Do, e após um breve procedimento inicial em seu escritório, Si Fu ficou trabalhando em seu computador e pediu que eu me dirigisse até uma das salas de prática. Era uma noite de algum dia de semana e estávamos sozinhos desta vez. Falando alto lá da sua sala, ele disse: “Quando estiver bom, me chama!” - Eu aceitava com muita naturalidade esse tipo de transmissão[diferente de quando comecei aos 15 anos de idade], mas ainda não entendia a sua amplitude, pois Si Fu não foi uma única vez sequer para ver o que eu estava fazendo. Ao final, digitando e olhando para seu computador, ao perceber que estava de pé diante de sua mesa perguntou: “E aí? Já deu por hoje?”.

You can pass on techniques to someone, and with the correct dedication of you and your pupil, everything can be learned in a short time. After all, they are techniques. However, with time, I realized that even though one´s work is the tutelage of a System like Ving Tsun, still the work of a Si Fu [師父] of Kung Fu is much broader. It was once my second or third session at the Baat Jaam Do Domain. And after a brief initial procedure in his office, Si Fu went to work on his computer and asked me to go to one of the practice rooms. It was a weekday night and we were alone this time. Speaking loudly from his office, Si Fu said: “When it's good, call me!” - I accepted this type of transmission very naturally [different from when I started at the age of 15], but I still did not understand its breadth, because Si Fu did not even go to see what I was doing. At the end, typing and looking at his computer, when he realized he was standing in front of his desk he asked: “What's up? Are you done for today? ”.

[Eu e meu Si Hing, quando fomos qualificados como Mestres em 2015]
[Me and my Si Hing, when we qualified as Masters in 2015]

Então, voltando a falar de “Sau”[守], ele se torna muito importante a esta altura. Isso acontece porque para um Si Fu de Kung Fu conseguir trabalhar num processo mais amplo com seu To Dai, ele vai precisar que este esteja aberto para tal. Então, talvez a melhor palavra para a atitude adequada do To Dai seja “Receptivo”. 
Por isso, quando um To Dai está receptivo e o Si Fu percebe isso, ele poderá adentrar num misterioso processo chamado de “Sam Dak” [心得]. E segundo meu Si Gung, “Sam Dak” [心得] pode ser entendido como uma experiência percebida no processo de transmissão e aprendizagem.
Por fim, eu poderia falar de muitas habilidades importantes para um Si Fu de Kung Fu[em meu entendimento], como a habilidade de ter um coração grande e uma memória ruim. Isso serve para cada mágoa que um To Dai pode vir a promover. Porém, o que meu Si Fu me disse ainda no “Cham Kiu” a respeito de usar os “Olhos do Zelo”, ou seja, olhar com o coração e não apenas com os olhos. Possa ajudar um Si Fu de Kung Fu a desenvolver a habilidade de estar na medida e ver o que não está na medida. Sendo esta a chave para enxergar e saber corretamente. Isso chamamos de “San Ming 神明“. Mas esta, parece-me ser uma história para um outro dia...

So, going back to talking about “Sau” [守], it becomes very important at this point. This is because for a Si Fu of Kung Fu to be able to work in a broader process with his To Dai, he will need they to be open for that. So, perhaps the best word for To Dai's proper attitude is “Receptive”.
So, when a To Dai is receptive and Si Fu realizes it, he can enter a mysterious process called "Sam Dak" [心得]. And according to my Si Gung, “Sam Dak” [心得] can be understood as an experience perceived in the process of transmission and learning.
Finally, I could talk about many important skills for a Si Fu of Kung Fu [as I understand it], such as the ability to have a big heart and a bad memory, for every hurt in his heart that a To Dai can come to promote against him. However, what my Si Fu still told me in “Cham Kiu Domain” about using the “Eyes of Zeal”, that is, looking with the heart and not just with the eyes. Can help a Si Fu of Kung Fu to develop the ability to be in the measure and see what is not in the measure. This is the key to seeing and knowing correctly. This we call “San Ming 神明“. But this, it seems to me, is a story for another day ...




The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira “Moy Fat Lei“
moyfatlei.myvt@gmail.com

quinta-feira, 22 de abril de 2021

KEITH MARKUS: CEREMONIAL ACTS IN MY JOURNEY OF LIFE



 

Momento de uma Cerimônia de Baai Si, em que meu Si Fu aceita o chá oferecido por mim. 
O simbolismo desta foto é a minha aceitação como seu Discípulo e como legatário do Sistema Ving Tsun.

Moment of a Baai Si Ceremony, when my Si Fu accepts the tea offered by me.
The symbolism of this photo is my acceptance is me becoming his Disciple
 and as the legatee of the Ving Tsun System.


By
Keith Markus
Disciple of Master Thiago Pereira


Fui criado em uma cidade do interior, afastada da agitação dos grandes centros e da pressa que nos é característica nos dias de hoje. Minhas primeiras memórias datam do início dos anos 80, tempo do qual me lembro com detalhes vívidos, absorvidos e guardados por uma memória construída a cinco sentidos, trabalhando em sinergia com o combustível da curiosidade infantil.
Desde aquele tempo que tudo o que era abstrato despertava enormemente a minha atenção, pois o que é abstrato não é palpável. Ora, mas se algo não era palpável, como era possível sentir? De onde vinha a felicidade de se cantar um “parabéns para você” em um aniversário, ou a satisfação de ver outras pessoas sorrirem? De onde vinha a motivação para participar dos desfiles cívicos, para jogar bolinha de gude sem valer nada, ou marcar um gol no futebol, já que, a rigor, tudo aquilo parecia não ter uma utilidade real?

I was raised in a city in the countryside, away from the hustle and bustle of big cities and the rush that is characteristic of us today. My first memories date back to the early 80's, a time I remember with vivid details, absorbed and kept by a memory built to five senses, working in synergy with the fuel of children's curiosity.
Since that time, everything that was abstract attracted my attention enormously, because what is abstract is not palpable. Why, but if something was not palpable, how was it possible to feel? Where did the happiness of singing “congratulations to you” on a birthday come from, or the satisfaction of seeing other people smile? Where did the motivation come from to participate in civic parades, to play marbles for nothing, or to score a goal in football game, since, strictly speaking, all that seemed to be of no real use?

Encerramento das atividades do ano de 2017 e entrega dos Nomes Kung-Fu dos três primeiros discípulos da 13ª Geração de Ving Tsun da Linhagem Moy Yat na América Latina. Apesar de não ser oficialmente uma cerimônia, o evento portava um forte simbolismo para mim, tanto por ocorrer em minha casa, como por representar o encerramento de um ciclo e início de outro. 

Closing of the activities of the year 2017 and delivery of the Kung-Fu Names of the first three disciples of the 13th Generation of Ving Tsun of the Moy Yat Lineage in Latin America.
 Although it was not officially a ceremony, the event carried a strong symbolism for me, both because it happened at my home and because it represented the end of one cycle and the beginning of another.


Bem, naquele tempo eu não pensava em nada disso com tanta profundidade, mas conforme o tempo foi passando, ao adquirir ferramentas de pensamento para ver as coisas de forma crítica, finalmente completei o Ensino Médio, àquela época conhecido como “Segundo Grau”, e me neguei a participar da formatura. Parecia desnecessário e enfadonho. Consegui a façanha de não ir à minha própria formatura, e até hoje tenho a sensação de que faltou algo no encerramento daquele ciclo da minha vida acadêmica.
Mais tarde, ingressei na carreira Militar, e me deparei com uma cultura simbólica muito intensa, e foi nessa situação que pude compreender melhor o poder dos atos simbólicos como “marcos” nos pontos de virada dos ciclos, e como ferramentas de preparação mental para o que está por vir e de encerramento do que já foi. 

Well, at that time I didn't think about any of this in such depth, but as time went on, when I acquired thinking tools to see things critically, I finally finished high school, at that time known as “High School”, and I refused to attend graduation. It seemed unnecessary and boring. I achieved the feat of not going to my own graduation, and even today I have the feeling that something was missing at the end of that cycle of my academic life.
Later, I entered the military career, and I came across a very intense symbolic culture, and it was in this situation that I was able to better understand the power of symbolic acts as "milestones" at the turning points of the cycles, and as tools of mental preparation for the that is to come and the closing of what has already been.


Foto tirada na ocasião do meu acesso ao Domínio Biu Ji. Para mim, além de representar o início de um novo ciclo, esta foto denotava também um ato de confiança de meu Si Fu e de meu Si Gung em minha jornada como praticante de Ving Tsun, renovando minha sensação de responsabilidade perante a linhagem Moy Yat.

Photo taken at the time of my access to the Biu Ji Domain. For me, in addition to representing the beginning of a new cycle, this photo also denoted an act of trust by my Si Fu and my Si Gung in my journey as a practitioner of Ving Tsun, renewing my sense of responsibility towards the Moy Yat lineage.


Desde o toque de corneta para despertar, o hasteamento da bandeira para iniciar o expediente, ao seu arriamento (ou arriação) ao término, as formaturas de promoção e de celebração, tudo isso trouxe para mim a sensação de início e fim, de hora de começar e hora de dar uma pausa, e a hora de recomeçar.
Mais tarde ao encontrar a Arte Marcial que tanto amo, o Ving Tsun, pude mais uma vez ter contato, de uma forma muito especial, com as cerimônias. 
Assim como em outros momentos de minha vida, percebi o valor das cerimônias, mas dessa vez de uma forma ainda mais especial, pois agora eu participava desde concepção e o planejamento das cerimônias, passando pelo estudo de cada componente do processo, até a avaliação do significado do ciclo, não somente para mim, mas para membros e não-membros do nosso universo marcial, chamado Família Kung-Fu.
Então, posso dizer que hoje, através desse “prisma Kung-Fu” consigo entender melhor aquelas questões que despertavam minha curiosidade na infância, pois hoje sei que o que diferencia o ser humano dos outros animais é a capacidade de enxergar sentido em atos simbólicos através das cerimônias.

From the sounding of the bugle to wake up, the raising of the flag to start the day, to its dropping at the end, the promotions and celebrations graduations, all this gave me the feeling of beginning and ending, of to start and it's time to take a break, and it's time to start over.
Later on, when I found the Martial Art that I love so much, Ving Tsun, I was once again able to have a very special contact with the ceremonies.
As in other moments of my life, I realized the value of the ceremonies, but this time in an even more special way, because now I participated in the design and planning of the ceremonies, going through the study of each component of the process, until the meaning of the cycle, not only for me, but for members and non-members of our martial universe, called the Kung-Fu Family.
So, I can say that today, through this “Kung-Fu prism” I can better understand those issues that aroused my curiosity in childhood, because today I know that what differentiates human beings from other animals is the ability to see meaning in symbolic acts through of the ceremonies.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

VITOR SÁ: “What is a traditional ceremony for me?”


By
Vitor Sá
disciple of Master Thiago Pereira


Eu me chamo Vitor Sá, tenho trinta e quatro anos, sou praticante de Ving Tsun desde o final do ano de 2015 e em quatro de novembro do ano de 2017 realizei o meu Baai Si, me tornando discípulo de meu Si Fu e Membro Vitalício da Família Moy Fat Lei. No próximo dia vinte quatro de abril darei mais um importante passo dentro da minha jornada como praticante de Ving Tsun. Este passo, prestes a ser dado, será formalizado em um evento[Instrumento Estratégico] que chamamos de “Ato Cerimonial”. No caso da minha Família Kung Fu, será o Vigésimo Primeiro Ato Cerimonial.
Antes de iniciar minha trajetória como praticante de Ving Tsun, pratiquei outras artes marciais e nunca vivenciei experiências semelhantes aos “Atos Cerimoniais”. O que estava acostumado a vivenciar eram avaliações e exames de faixa, e que fique registrado: sempre foram boas experiências, bons momentos que marcaram minha vida. No entanto, eu nunca tive a oportunidade de me envolver tanto com esses eventos.
Quando me tornei um praticante de Ving Tsun, imaginava que passaria por eventos semelhantes, afinal eu pensava: Para eu me tornar um praticante graduado terei que passar por exames e avaliações. De fato, as avaliações existem, mas não é o mais importante. Desde 2016, ano em que participei da minha primeira cerimônia, posso afirmar que em cada oportunidade é uma nova experiência, cada evento me proporciona um novo significado. Mas por que?
Para uma pessoa leiga, ao assistir uma cerimônia, pensa-se somente no que está acontecendo naquele momento, o evento em si, a celebração. Para nós praticantes, um “Ato Cerimonial” começa bem antes, já que os participantes da celebração é que são responsáveis por organizar o evento. E termina bem depois, já que após a celebração, é feito o que chamamos de “pós-evento”, onde temos a oportunidade de analisar tudo o que foi feito. Portanto um “Ato Cerimonial” exige, ao meu ver, um nível de atenção tão grande que acaba nos proporcionando experiências inéditas e o descobrimento de habilidades que muitos nem sabem que possuem.

My name is Vitor Sá, I am thirty-four years old, I have been practicing Ving Tsun since the end of 2015 and on the 4th of November of 2017 I realized my Baai Si, becoming a disciple of my Si Fu and a special student of Moy Fat Lei family. On the twenty-fourth of April I will take another important step in my journey as a practitioner of Ving Tsun. This step, about to be taken, will be formalized in an event [Strategic Tool] that we call “Ceremonial Act”. In the case of my Kung Fu Family, it will be the Twenty-First Ceremonial Act.
Before starting my journey as a practitioner of Ving Tsun, I practiced other martial arts and never had experiences similar to the “Ceremonial Acts”. What I was used to experiencing were assessments and exams, and let it be recorded: there have always been good experiences, good moments that have marked my life. However, I never had the opportunity to get so involved with these events.
When I became a Ving Tsun practitioner, I imagined that I would go through similar events, after all I thought: For me to become a graduate practitioner, I will have to pass exams and assessments. Indeed, evaluations do exist, but it is not the most important. Since 2016, the year I participated in my first ceremony, I can say that every opportunity is a new experience, each event gives me a new meaning. But why?
For a lay person, when attending a ceremony, one thinks only of what is happening at that moment, the event itself, the celebration. For us practitioners, a “Ceremonial Act” starts well before, since the participants in the celebration are responsible for organizing the event. And it ends much later, since after the celebration, what we call “post-event” is done, where we have the opportunity to analyze everything that has been done. Therefore, a “Ceremonial Act” requires, in my view, a level of attention so great that it ends up providing us with unprecedented experiences and the discovery of skills that many do not even know they have.
Meu primeiro “Ato Cerimonial” foi em nove de abril de dois mil e dezesseis[FOTO], foi a primeira cerimônia da minha Família Kung Fu, a Família Moy Fat Lei, que nascia como a primeira Família Kung Fu de décima terceira geração na América Latina. Ali, me dei conta de que todo o processo era bem diferente do que eu estava acostumado. Na ocasião, eu e meus irmãos Kung Fu tivemos a orientação dos nossos Si Suk, principalmente do Si Suk Rodrigo Moreira e do Si Suk Fábio Sá. Eu lembro sempre da tarde de sábado junto ao Si Suk Rodrigo em que trabalhamos duro no transporte dos itens do Mo Gun até o local da cerimônia. E lembro bem, também, do momento em que cheguei ao local poucas horas antes do evento começar e me deparei com vários Si Suk trabalhando no preparo e na montagem dos itens para que tudo saísse bem durante o “Ato Cerimonial”. Logo pude perceber que a cerimônia, para mim, já havia começado.

My first “Ceremonial Act” was on April 9th of two thousand and sixteen [PHOTO ABOVE], it was the first ceremony of my Kung Fu Family, the Moy Fat Lei Family, which was born as the first thirteenth generation Kung Fu Family in Latin America. There, I realized that the whole process was quite different from what I was used to. At the time, my Kung Fu brothers and I had the guidance of our Si Suk, mainly Si Suk Rodrigo Moreira and Si Suk Fábio Sá. I always remember Saturday afternoon at Si Suk Rodrigo, where we worked hard to transport Mo Gun's items to the ceremony site. And I remember well, too, the moment I arrived at the place a few hours before the event started and I came across several Si Suk working on the preparation and assembly of the items so that everything went well during the “Ceremonial Act”. I soon realized that the ceremony, for me, had already started.

Lembro que haviam muitas pessoas presentes. Além de meu Si Fu e meu Si Gung, estavam presentes outros importantes Mestres, além de todos os outros convidados. Participaram daquele “Ato Cerimonial”, minha Si Je Jaqueline, meu Si Hing Pedro Freire e meus irmãos kung fu mais novos Luan, Pedro Pavioti e André. Durante a cerimônia pude perceber a importância do evento, me lembrei dos meus antigos exames de faixa e pude concluir o quanto aquela nova experiência era bem mais profunda e complexa do que tudo que eu havia passado anteriormente durante a prática em outras artes marciais.

I remember that there were many people present. In addition to my Si Fu and my Si Gung, other important Masters were present, in addition to all the other guests. In that “Ceremonial Act”, my Si Je Jaqueline, my Si Hing Pedro Freire and my younger kung fu brothers Luan, Pedro Pavioti and André. During the ceremony I could see the importance of the event, I remembered my old belt exams and I was able to conclude how much more profound and complex that new experience was than what I had previously gone through while practicing in other martial arts.

[foto oficial com Mestre Thiago Pereira, Vitor e seus familiares no dia de seu 'Baai Si']

[official photo with Master Thiago Pereira, Vitor and his family on the day of his 'Baai Si']

Agora, estou aqui, cinco anos depois, próximo de mais um “Ato Cerimonial” da minha Família Kung Fu, onde irei acessar um novo domínio do Sistema  Ving Tsun. Mais maduro (porém com muito a aprender), sou grato por ter chegado até aqui, com a confiança de meu Si Fu e ciente de que estou vivenciando mais uma experiência incrível. Sigamos Juntos!

Now, I am here, five years later, next to another “Ceremonial Act” of my Kung Fu Family, where I will access a new domain of the Ving Tsun System. More mature (but with a lot to learn), I am grateful to have arrived here, with the confidence of my Si Fu and aware that I am having another incredible experience. Let's Go Together!