quinta-feira, 14 de novembro de 2019

#TBT SHE DECIDED TO LIVE IN A KUNG FU SCHOOL

No #throwbackthursday dessa semana, juntamos as duas partes do artigo especial da coluna "Mo Gun All Stars", em um único para que todos possam reler a história da discípula da Mestra Ursula Lima, Helena Carneiro, sobre sua experiência vivendo no Mo Gun de sua Família Kung Fu. Emocione-se mais uma vez, com este que foi um dos artigos mais acessados do ano de 2017!

 At #throwbackthursday this week, we put the two parts of the special article in the "Mo Gun All Stars" column together so that everyone can reread the story of Master Ursula Lima's disciple, Helena Carneiro, about her experience living at the Mo Gun's of her Kung Fu Family. Thrill once again with her story! One of the most accessed articles of 2017!
(Nossa entrevistada em um momento de descontração durante a Visita Oficial de Si Gung Leo Imamura em março de 2015. Na ocasião, tivemos a Celebração do 52º Aniversário de Si Gung  e o evento foi organizado em conjunto por todos os Núcleos da Moy Yat Ving Tsun do Rio de Janeiro.)

(Our interviewee at a time of relaxation during the Official Visit of Si Gung Leo Imamura in March 2015. On that occasion we had the Celebration of the 52nd Anniversary of Si Gung and the event was jointly organized by all the Moy Yat Ving Tsun from Rio de Janeiro.)


A vida era mais ou menos assim no Brasil nos final dos anos 80 : Quando chegava Sexta, você pegava o pouco dinheiro que tinha e se dirigia até uma locadora qualquer do seu bairro. Chegando lá, você encontrava a sessão de artes marciais. Muitos filmes com "Kickboxer" no título, mas não importava qual você escolhesse, pois uma coisa era certa: Em algum momento do filme, a personagem principal que poderia ser o Van Damme , Loren Avedon ou similares, encontraria um Mestre e viveriam de forma intensa a prática daquela arte marcial para derrotar o vilão do filme.  Quando o filme acabava, você se pegava imaginando como seria uma vida assim... Viver no local que se pratica uma arte marcial 24 horas por dia e sete dias por semana....

Life was something like this in Brazil in the early 90s: When it was Friday, you would take the money you had and go to any of the video rental stores in your neighborhood. Arriving there, you would find the martial arts session. Lots of movies with "Kickboxer" in the title, but it did not matter which one you chose, because one thing was certain: At some point in the movie, the main character who could be Van Damme, Loren Avedon or similar, would find a Master and live in intensely 24/7 the practice of that martial art to defeat the villain of the film. When the movie ended, you would find yourself imagining what a life like this would be like ... Living at the martial arts school practicing a martial art 24 hours a day, seven days a week ....

Hoje, voltamos com uma das colunas mais queridas da página chamada "Mo Gun All Stars". Nela, fazemos entrevistas com membros da Linhagem Moy Yat no Brasil e no mundo que se destacam de alguma forma. E apesar das inúmeras entrevistas incríveis que fizemos ao longo dos anos, sem dúvidas, a mais emblemática foi a da Mestra Ursula Lima no final da década de 2000. E no ano em que a página celebra 10 anos, nada melhor do que entrevistar um de seus principais discípulos: Helena Carneiro "Moy Gaap Lin" . Ela que realiza sem saber , o sonho de muitos garotos que tantos filmes assistiram nas décadas de 80 e 90: Viver no Mo Gun (Acho que estou falando de mim mesmo ,risos). Porém, espero que possa descobrir desde a primeira parte desta entrevista, que na vida real, é bem diferente....
Bem-vindo , de volta, ao "Mo Gun All Stars" !

Today, we return with one of the most beloved columns of the page called "Mo Gun All Stars". In it, we do interviews with members of the Moy Yat Lineage in Brazil and in the world that stand out in some way. And despite the countless incredible interviews we've done over the years, the most emblematic one was that of Master Ursula Lima in the late 2000s. And in the year the page celebrates 10 years on line, there's nothing better than interviewing one of her main disciples: Helena Carneiro "Moy Gaap Lin". She realizes without knowing, the dream of many boys that  watched  so many movies  in the 80's and 90's: Living in the Mo Gun. However, I hope you can find out since the first part of this interview, that in real life, it's quite different ....

Welcome, back to "Mo Gun All Stars"!




SHE DECIDED TO LIVE IN A KUNG FU SCHOOL
INTERVIEW WITH HELENA CARNEIRO 

(Foto "Si Fu-To Dai" na residência da Família Imamura por ocasião do acesso de Mestra Ursula Lima ao último Domínio do Sistema Ving Tsun. Na foto vemos, Sra. Vanise Imamura, colíder do Grande Clã Moy Yat Sang. Grão-Mestre Leo Imamura, Líder do Grande Clã Moy Yat Sang. O Gaai Siu Yan de Mestra Ursula Lima , Mestre Senior Julio Camacho, Líder do Clã Moy Jo Lei Ou. E finalmente, Mestra Ursula Lima, Líder da Família Moy Lin Mah.) 

(Photo "Si Fu-To Dai" at the residence of the Imamura Family on the occasion of Master Ursula's access to the last Ving Tsun Domain. In the photo we see Ms. Vanise Imamura, co-leader of the Grand Clan Moy Yat Sang. Grand Master Leo Imamura, Leader of the Grand Clan Moy Yat Sang . The Gaai Siu Yan of Master Ursula Lima, Senior Master Julio Camacho, Leader of Moy Jo Lei Ou Clan. And finally, Master. Ursula Lima, Leader of the Moy Lin Mah Family.)

Existe uma lenda no Rio de Janeiro, sobre dois irmãos Kung Fu que também são primos fora do "Mo Lam". Mestre Julio Camacho, o irmão Kung Fu mais velho, começara a transmitir o Ving Tsun na Zona Oeste do Rio no terraço da casa da então prima Ursula de 16 anos. Os anos se passaram, e uma das maiores parcerias de artes marciais de todos os tempos aconteceu no Brasil. Enquanto Mestre Julio Camacho trabalhava em termos de inovação, a futura Mestra Ursula Lima trazia um aspecto mais organizacional. De alguma forma, ambos se assimilavam ao seu Si Fu, Grão-Mestre Leo Imamura.
Para muitos que viveram aqueles tempos, nada disso é novidade. Porém, para os que chegam agora, são apenas histórias, histórias de uma época em que juntos Mestre Julio Camacho e Mestra Ursula Lima, marcaram para sempre a administração de um Mo Gun baseado na excelência.

There is a legend in Rio de Janeiro about two Kung Fu brothers who are also cousins out of the "Mo Lam". Master Julio Camacho, older Kung Fu brother , had begun spreading the Ving Tsun in the West Zone of Rio on the rooftop of the house of his cousin Ursula, 16 years old. The years passed, and one of the greatest martial arts partnerships of all time happened in Brazil. While Master Julio Camacho worked in terms of innovation, the future Master Ursula Lima brought a more organizational aspect. Somehow, they both assimilated to their Si Fu, Grand Master Leo Imamura.
For many who have lived those times, none of this is new. But for those who arrive now, those are only stories, stories of a time when together Master Julio Camacho and Master Ursula Lima, have always marked the administration of a Mo Gun based on excellence.

(Foto da Cerimônia de Baai Si, de Helena Carneiro com Mestra Ursula Lima, 
em Outubro de 2015, tendo como Gaai Siu Yan Mestre Thiago Pereira)

(Photo of the Ceremony of Baai Si of Helena Carneiro with Master. Ursula Lima,
in October 2015, having as Gaai Siu Yan Master Thiago Pereira)

Vamos descobrir agora, a continuação dessa lenda. Da relação de Mestra Ursula Lima, que carrega em seu coração tudo que aprendeu com seu Si Fu e tudo que desenvolveu e viveu com seu Si hing Julio Camacho com sua discípula Helena Carneiro.

Let's find out now, the continuation of this legend. From the relationship of Master. Ursula Lima, who carries in her heart everything she learned from her Si Fu and everything she developed and lived with her Si hing Julio Camacho with her disciple Helena Carneiro.


Journey of Ving Tsun Life: Você pode falar um pouco sobre quem é você?

Helena: Me chamo Helena Carneiro Ribeiro, sou praticante e Tutora Qualificada do Núcleo Copacabana da Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, discípula "Dai Ji" (12ª GVT) de Mestra Ursula Lima - Líder da Família Moy Lin Mah, tendo recebido na ocasião de meu Baai Si o nome Kung Fu "Moy Gaap Lin".

Journey of Ving Tsun Life: Can you talk a little about who you are?

Helena: My name is Helena Carneiro Ribeiro, I am a practitioner and Qualified Tutor of the Copacabana School of Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence, disciple "Dai Ji" (12th GVT) of Master. Ursula Lima - Leader of the Moy Lin Mah Family, having received on the occasion of my Baai Si the name Kung Fu "Moy Gaap Lin".

 (Acervo pessoal, foto em viagem a Santiago/Chile em 2015)
(Personal collection, travel photo to Santiago / Chile in 2015)
 (A Mestra de Helena, Mestra Ursula Lima , de verde, pratica com sua irmã Kung Fu e amiga Monique Carvalho. 
O local é o primeiro Núcleo certificado dirigido pelo Mestre Julio Camacho em Jacarepaguá)

(Helena's Master,, Master Ursula Lima, in green, practices with her  Kung Fu sister and friend Monique Carvalho.The site is the first certified school directed by Mestre Julio Camacho.)


Journey of Ving Tsun Life:Como é o seu dia a dia fora do Círculo Marcial?

Helena: 
Atualmente, estou trabalhando como Web Designer em dois projetos e faço também alguns trabalhos como freelancer, quando surge a oportunidade. Além disso, sempre que possível, busco participar de projetos e feiras culturais pela cidade do Rio. Eu costumo dizer que tive muita sorte no meio profissional, pois conheci pessoas magníficas que me ensinaram muito e me ensinam até hoje. Em especial, gostaria de citar Gustavo Pinto, consultor na área de Tecnologia da Informação e meu coordenador; e a prof.a Zuzana Paternostro, Historiadora e Crítica de Arte, minha mentora no mundo das Artes Plásticas. Entre o trabalho e as atividades do Mo Gun, estão a Família e os amigos, que me apoiam e me dão condições de cumprir bem hoje o meu papel.

Journey of Ving Tsun Life: How is your day-to-day life outside the Martial Arts Circles?Helena: I am currently working as a Web Designer on two projects and I also do some freelance work when the opportunity arises. In addition, whenever possible, I try to participate in projects and cultural fairs in the city of Rio. I usually say that I was very lucky in the professional environment, because I met wonderful people who taught me a lot and taught me to this day. In particular, I would like to mention Gustavo Pinto, consultant in the field of Information Technology and my coordinator; and Prof. Zuzana Paternostro, Historian and Critic of Art, my mentor in the world of Plastic Arts. Between the work and the activities of the Mo Gun, are the Family and the friends, who support me and enable me to fulfill my role well today.

 (Acervo pessoal, foto de uma pintura em andamento)
(Personal collection, picture of a painting in progress)
 (foto de família, alguns anos atrás: Em suas palavras: " Antes de pensar em praticar 
Ving Tsun, eu só queria saber de comer bolo na casa da minha avó.")

(family photo, a few years ago: In her words: "Before thinking about practicing
Ving Tsun, I just wanted to eat cake at my grandmother's house. ")

Journey of Ving Tsun Life:Você já teve outras experiências com artes marciais ou tinha algum interesse nesse tema antes de se tornar uma discípula de sua Si Fu?Helena: Antes de começar a praticar o Ving Tsun no Núcleo Copacabana da Moy Yat Ving Tsun, eu já havia presenciado algumas competições de Judô, Jiu-Jitsu e Muay Thai, algumas danças de Capoeira, mas nunca me aventurei em nenhuma destas modalidades. Havia interesse, mas eu sempre fui muito medrosa e se não fosse por um amigo me puxando o braço, dificilmente eu sairia de casa, (risos). E foi justamente o que aconteceu. Graças ao incentivo de meu Gaai Siu Yan e amigo, meu Si Hing Rodolpho Alcantara, que comecei a praticar o Ving Tsun com Si Fu Ursula Lima.

Journey of Ving Tsun Life: Have you ever had other experiences with martial arts or had any interest in this subject before becoming a disciple of your Si Fu?Helena: Before I started practicing Ving Tsun at the Moy Yat Ving Tsun Copacabana School, I had already witnessed some Judo, Jiu-Jitsu and Muay Thai competitions, some Capoeira dances, but I never ventured into any of these modalities. There was interest, but I was always very fearful and if it was not for a friend pulling my arm, I would hardly leave the house (laughs). And that's exactly what happened. Thanks to the encouragement of my Gaai Siu Yan and friend, my Si Hing Rodolpho Alcantara, I started practicing the Ving Tsun with Si Fu Ursula Lima.
 (Cerimônia de Acesso ao Domínio Cham Kiu, Foto Tradicional com seu Gaai Siu Yan e orientador, Rodolpho Alcantara "Moy Gaap Mah" e com sua Si Fu Ursula Lima "Moy Lin Mah".)

(Cham Kiu Domain Access Ceremony, Traditional Photo with her Gaai Siu Yan and supervisor, Rodolpho Alcantara "Moy Gaap Mah" and her Si Fu Ursula Lima "Moy Lin Mah".)
 (A Si Fu de Helena , Mestra Ursula Lima, em sua Cerimônia no Núcleo Jacarepaguá. Na foto aparecem seu Si Fu, Grão-Mestre Leo Imamura e seu Gaai Siu Yan, Mestre Julio Camacho)

(The Helena´s Si Fu , Master Ursula Lima, in her Ceremony at the Jacarepaguá School. In the photo are her Si Fu, Grand Master Leo Imamura and her Gaai Siu Yan, Master Julio Camacho)


 Journey of Ving Tsun Life:Você tinha algum conceito equivocado sobre mulheres praticarem artes marciais? Sua Si Fu foi um exemplo para você neste aspecto?Helena: Quando somos crianças, todos jogam até alguém colocar um brinquedo na sua mão e dizer que este ou aquele brinquedo é de menina, ou é de menino. Hoje em dia, os meios de comunicação tornaram-se mais democráticos e as vozes de diferentes grupos começaram a ganhar espaço. Graças a isso, podemos ver cada vez mais o potencial de cada indivíduo a ser explorado, independente de gênero, raça, religião, localização geográfica etc. Da minha parte, não houve nenhum equívoco (respondendo a pergunta, risos) e acredito que para as gerações futuras, também haverá cada vez menos. Minha Si Fu é um forte exemplo para mim em diversos aspectos, dentro e fora do Círculo Marcial. Tanto como Si Fu (Líder de Família) e Artista Marcial, como um ser humano excepcional. Hoje, nossa Si Fu tem prestígio internacional graças ao seu esforço e dedicação e de todos que a apoiam. Quando ouvimos outros membros da família Kung Fu, como você próprio, Si Hing, ou o Si Sok Felipe Soares, o Si Baak Ricardo Queiroz e principalmente Si Baak Julio Camacho, compartilhando a respeito do que já vivenciaram ao lado de nossa Si Fu, das dificuldades e condições que ela enfrentou para tornar-se a figura que é hoje, isso não só nos inspira, como nos faz valorizar ainda mais a nossa Si Fu.

Journey of Ving Tsun Life: Did you have any misconceptions about women practicing martial arts? Is your Si Fu an example to you in this aspect?Helena: When we are children, everyone plays until someone puts a toy in their hand and says that this or that toy is for girls, or for boys. Nowadays, the media have become more democratic and the voices of different groups have begun to gain space. Thanks to this, we can see more and more the potential of each individual to be explored, regardless of gender, race, religion, geographical location, etc. For my part, there was no misunderstanding (answering the question, laughs) and I believe that for future generations there will also be less and less. My Si Fu is a strong example for me in many ways, inside and outside the Martial Arts Circles. As much as Si Fu (Family Leader) and Martial Artist, as an exceptional human being. Today, my Si Fu has international prestige thanks to her effort and dedication and of all who support her. When we hear other members of the Kung Fu family, such as yourself, Si Hing, or Si Sok Felipe Soares, Si Baak Ricardo Queiroz and especially Si Baak Julio Camacho, sharing about what they have already experienced alongside my Si Fu, the difficulties and conditions that she faced to become the figure she is today, this not only inspires us, but also makes us value our Si Fu even more.

 (Foto tirada em 2014, na ocasião do Seminário de Tutorização do 
Ving Tsun Experience Nível 2 realizado com Si Gung Leo Imamura, no Núcleo Barra da Tijuca.)

(Photo taken in 2014, on the occasion of the Ving Tsun Experience Level 2 Seminar 
with Si Gung Leo Imamura, in Barra da Tijuca School)
 - (Cerimônia de Acesso ao Domínio Biu Ji, realizada em março de 2017. 
Ao fundo, Mestre Ricardo Queiroz, Mestre Senior Julio Camacho, 
e o Sr. Ricardo Lopes,Colíder da Família Moy Lin Mah, observam Helena executar o "Cham Kiu")

(Biu Ji Domain Access Ceremony, held in March 2017.
In the background, Master Ricardo Queiroz, Senior Master Julio Camacho, and Ricardo Lopes, Co-Leader of the Moy Lin Mah Family, observe Helena performing the "Cham Kiu")

 Journey of Ving Tsun Life:Você pode nos contar algum momento marcante sobre você e sua Si Fu ao longo desses anos?Helena: São muitos (risos)
Ao longo desse tempo, tiveram momentos bons e outros em que eu me encontrava numa situação difícil ... Em todos eles, lá estava Si Fu. Por outro lado, penso que eu muito provavelmente, não estive presente da mesma forma, sempre que Si Fu precisou. É difícil perceber o quanto uma pessoa se dedica por nós e cuida para que estejamos bem, até que a gente também assuma esse papel. Hoje, acredito que eu tenha um pouco mais de maturidade para perceber certas coisas e o Kung Fu me beneficia muito nesse processo. Eu posso falar de uma ocasião que foi muito marcante para mim e que tem relação com esse sentimento ... Era uma quarta-feira, um dia cheio no Mo Gun, e eu tinha acabado de chegar para tutorizar uma aula do Ving Tsun Experience. Nesse dia, Si Fu já estava lá desde cedo e quando eu cheguei, fui direto para a sua sala. Esperava cumprimentar Si Fu e então correr para trocar de camisa, seguindo para as atividades do dia. Mas quando entrei, vi Si Fu na frente do computador com uma expressão séria e os olhos vermelhos, ela pediu que eu entrasse e fechasse a porta. Si Fu compartilhou comigo a respeito de uma notícia que acabara de receber e estava muito preocupada. Nesse momento, apesar da notícia, minha primeira reação foi um choque ao ver Si Fu fragilizada. Eu não sabia o que fazer ou o que dizer. Só pude ouvir o que Si Fu dizia, como uma parede e então, Si Fu levantou e disse que precisávamos cuidar das aulas do Experience. Eu nem lembrava mais da hora ou da aula que haveria. Ao sair da sala, Si Fu mudou de expressão e voltou sua atenção para o que era necessário naquele momento. As atividades no Mo Gun seguiram, conduzidas por Si Fu... O que queria dizer é que, quando penso em Si Fu e no papel que ela exerce na Família Kung Fu, me pergunto como posso contribuir com esse processo, para que nós da Família Moy Lin Mah, possamos estar cada vez mais, cuidando melhor de nossa Si Fu, assim como ela o faz conosco.


Journey of Ving Tsun Life: Can you tell us some remarkable moment about you and your Si Fu over the years?Helena: There are many (laughs)
During all this time, there were good moments and others in which I was in a difficult situation ... In all of them, there was Si Fu. On the other hand, I think I most likely was not present in the same way, whenever Si Fu needed it. It is difficult to see how much a person is dedicated to us and takes care of us to be well, until we also assume that role. Today, I believe I'm a little more mature to notice certain things and Kung Fu greatly benefits me in this process. I can speak of an occasion that was very striking to me and that relates to that feeling ... It was a Wednesday, a full day at Mo Gun, and I had just arrived to tutor a Ving Tsun Experience class. On that day, Si Fu was there early on, and when I arrived, I went straight to her office. I expected to greet Si Fu and then run to change my shirt, moving on to the day's activities. But when I entered, I saw Si Fu in front of the computer with a serious expression and red eyes, she asked me to enter and close the door. Si Fu shared with me about a news she had just received and was very worried. At this moment, despite the news, my first reaction was a shock to see Si Fu weakened. I did not know what to do or what to say. I could only hear what Si Fu said, like a wall and then, Si Fu got up and said we needed to take care of the Ving Tsun Experience classes. I could not even remember the time or the class there would be. As she left the room, Si Fu changed her expression and turned her attention to what was needed at that moment. The activities at the Mo Gun followed, led by Si Fu ... What I meant to say is that when I think of Si Fu and the role she plays in the Kung Fu Family, I wonder how I can contribute to this process so that we Family Moy Lin Mah members, may we be more and more, taking better care of our Si Fu, as she does with us.
 (Foto com Rebeka Lima, filha de sua Si Fu . Ela estava 
com a maquiagem da série Monster High, risos ).

(Photo with Rebeka Lima, daughter of her Si Fu. She was in 
the make-up of the Monster High series, laughs)
 (Helena recebe o caloroso abraço de sua Si Fu após fazer o "Baai Si")
(Helena receives the warm embrace of her Si Fu after doing the "Baai Si")

 Journey of Ving Tsun Life: O que significou para você fazer o “Baai Si” com sua Si Fu?

Helena: O Baai Si com minha Si Fu foi um processo muito natural. Tiveram muitos esforços reunidos para a sua realização, ainda mais por se tratar da primeira cerimônia de Baai Si da Família Moy Lin Mah, mas ao mesmo tempo, foi relativamente simples. Do meu ponto de vista, acho que podemos comparar a Cerimônia de Hoi Kuen com o momento em que você convida a pessoa que gosta para namorar, é quando você quer ter um compromisso sério com aquela pessoa e se sente a vontade para se abrir de verdade com ela, há uma série de desafios a serem encarados a partir daí, inclusive dentro do convívio que aumenta e que vai se estender também aos familiares de cada um. Já o Baai Si, seria como o casamento, quando ambas as partes desejam firmar aquele compromisso dia após dia, levando em consideração os altos e baixos, as incertezas e os desafios da vida, dispostos a seguir juntos cuidando um do outro e das gerações seguintes. Vejo um pouco por aí, (risos). O Kung Fu me mostrou que relacionar-se com o outro é uma capacidade humana que deve ser desenvolvida e trabalhada constantemente, não é fácil. Mas é fundamental para o nosso ser. Acredito que o Baai Si hoje, dentro da nossa cultura, talvez seja algo um pouco difícil de assimilar. Eu o entendo como um compromisso firmado entre Mestre e Discípulo, um para com o outro, seus familiares e todas as gerações que vieram antes e as que ainda estão por vir. Assim é a minha relação com Si Fu.

 Journey of Ving Tsun Life: What did it mean for you to do the "Baai Si" with your Si Fu?

Helena: Baai Si with my Si Fu was a very natural process. Many efforts were made to bring it about, especially as it was the first Baai Si ceremony of the Moy Lin Mah Family, but at the same time it was relatively simple. From my point of view, I think we can compare the Hoi Kuen Ceremony with the moment you invite the person you like to date, it's when you want to have a serious commitment to that person and feel free to open up for real with it, there are a series of challenges to be faced from there, including within the conviviality that increases and that will extend also to the relatives of each one. Already Baai Si, it would be like marriage, when both parties want to make that commitment day after day, taking into account the ups and downs, the uncertainties and challenges of life, willing to continue together taking care of one another and the following generations . I'll see a little around, (laughs). Kung Fu has shown me that relating to one another is a human capacity that must be constantly developed and worked on, not easy. But it is fundamental to our being. I believe Baai Si today, within our culture, is perhaps a little difficult to assimilate. I understand it as a compromise between Master and Disciple, one towards the other, their families and all the generations that came before and those that are yet to come. So is my relationship with Si Fu.


(Helena recebe o abraço do Sr Ricardo Lopes, colíder da Família Moy Lin Mah, 
a quem os membros desta Família se referem como "Sing Sang" )

(Helena receives the embrace of Mr. Ricardo Lopes, co-leader of the Moy Lin Mah Family,
to whom the members of this Family refer to as "Sing Sang")

- (Mais um registro de sua Cerimônia de Baai Si, no momento em que recebe de Si Gung Leo Imamura, o pin de nosso Grande Clã Moy Yat Sang. Na ocasião,sua  Si Fu lhe deu a honra de realizar o Baai Si também com nosso Si Gung Leo Imamura).

(Another record of her Baai Si Ceremony, when she receives from Si Gung Leo Imamura, the pin of our Grand Clan Moy Yat Sang. At the time, her Si Fu gave her the honor of performing Baai Si with our Si Gung Leo Imamura).

Muitos e muitos anos atrás, ouvi de Si Gung numa palestra, que o estrategista chinês ao invés de "projetar" seu plano, ele faria o caminho inverso que ligaria o objetivo até ele, etapa por etapa. Eu confesso que não entendi nada. E além disso, minha versão de "Arte da Guerra" do James Clavell não ajudava muito. Hoje eu sou "Si Fu", mas esse nunca foi um plano. Aconteceram uma série de desdobramentos  que foram se sucedendo, e cá estou eu. 
Hoje, quando ler a parte final da entrevista com a discípula de Mestra Ursula Lima, Helena Carneiro "Moy Gaap Lin"(foto), tenha isso em mente: A importância de nos apoiarmos nos potenciais que a vida nos apresenta. Pois acredito eu, que tudo que ela alcançou dentro de sua Família Kung Fu, não era um plano original, mas um aproveitamento dos desdobramentos.

Many and many years ago, I heard from Si Gung in a lecture, that the Chinese strategist instead of "designing" his plan, he would do the opposite way that would connect the goal to him, step by step. I confess I did not understand anything. And besides, my version of James Clavell's "Art of War" did not help much. Today I am a "Si Fu", but this was never a plan for me.. There have been a series of developments that have been happening, and here I am.

Today, when you read the final part of the interview with Master Ursula Lima's disciple Helena Carneiro "Moy Gaap Lin" (photo above), keep this in mind: The importance of relying on the potentials that life presents to us. Because I believe that all that she achieved within her Kung Fu Family was not an original plan, but an exploitation of the unfolding trendings.

(Mestre Senior Julio Camacho na residência de Patriarca Moy Yat, 
observa atentamente enquanto ele faz uma caligrafia)

(Senior Master Julio Camacho in the residence of Patriarch Moy Yat,
watches closely as he does a handwriting)

Sabe, é como na pintura chinesa: Assim como nas artes marciais, você precisa estar atento a propensão de tudo que envolverá a pintura. Por exemplo: O pincel tem um potencial para fazer o traço e o traço apresenta potencial para o pincel. Se você por acaso quer fazer um traço fino, você começa pesando a mão com um traço grosso até que ele afine naturalmente. E tudo isso, precisa ser constantemente antecipado a cada pincelada, pois a arte consiste também, em saber conectar a sequência de pinceladas necessárias para a obra, sempre antecipando o próximo movimento.

You know what?It's like in Chinese painting: Just like in martial arts, you need to be aware of the propensity of everything that will involve painting. For example: The brush has the potential to make the stroke, and the stroke has potential for the brush. If you want to make a fine stroke, you start by weighing the hand with a thick stroke until it naturally clears. And all this, must be constantly anticipated in every brushstroke, because art also consists in knowing how to connect the sequence of strokes necessary for the work, always anticipating the next movement.
(Mestra Ursula Lima com Grão-Mestre Leo Imamura e Rebeka Lima, sua filha)
(Mestra Ursula Lima with Grand Master Leo Imamura and Rebeka Lima, her daughter)

E agora, lembro-me de caminhar com Si Gung na saída de uma de suas visitas ao Núcleo Méier, e ele perguntar como estavam as coisas. Ao responder, ele disse: "...É exatamente esse o trabalho de um Mestre: Estar atento aos ciclos , se antecipando a eles..." .
Bom, e quando você não conseguir se antecipar, use "Biu Ji" (risos) . 


And now, I remember walking with Si Gung on the way out of one of his visits to the MYVT Meier School, and he asking how things were. In answering, he said: "... This is exactly the work of a Master: To be aware of the cycles, anticipating them ...".

Well, when you can not anticipate, use "Biu Ji" (laughs).





Journey of Ving Tsun Life: Hoje você é um dos, senão o primeiro nome lembrado além do da sua Si Fu, por muitos quando se pensa na Família Moy Lin Mah.  O que você pode dizer sobre ter se tornado uma referência tão forte de sua Família, dentro e fora das paredes do Mo Gun?

Helena: A riqueza da família Kung Fu está na sua diversidade. A família Moy Lin Mah possui muitas figuras importantes atuando em diferentes níveis. Hoje, pode ser que eu esteja mais presente no dia a dia do Mo Gun, mas nem sempre foi assim. Si Hing Rodolpho Alcantara 'Moy Gaap Mah' foi uma das primeiras pessoas a gerir o Núcleo Copacabana ao lado de Si Fu e ainda é o responsável por muitas questões administrativas. André Villarreal 'Moy Yuet Mah' é hoje quem mais coordena sessões de Ving Tsun Experience no Núcleo Copacabana. Si Jeh Angela Carvalho 'Moy On Gaak Lai' está abrindo portas, representando a família Moy Lin Mah fora do Brasil. Nossa Dai Si Jeh Inez Viegas estará em breve acessando o domínio Mui Fa Jong e isto é um marco para a nossa família, pois teremos pela primeira vez membros acessando os níveis superiores do Sistema Ving Tsun. Honestamente, são muitos nomes que me veem a mente, eu poderia falar de cada um deles, mas levaríamos algum tempo, (risos). É graças a contribuição de cada uma dessas pessoas e a diferença que isso dá, que eu também posso usufruir desse momento que a família Moy Lin Mah vive hoje.

Journey of Ving Tsun Life: Today you are one of the only if not the first name remembered beyond your Si Fu, by many when someone thinks of the Moy Lin Mah Family. What can you say about becoming such a strong reference of your Family, inside and outside the walls of the Mo Gun?Helena: The wealth of the Kung Fu family is in its diversity. The Moy Lin Mah family has many important figures acting at different levels. Today, I may be more present in the day-to-day of the Mo Gun, but it has not always been so. Si Hing Rodolpho Alcantara 'Moy Gaap Mah' was one of the first people to manage the Copacabana School next to Si Fu and is still responsible for many administrative issues. André Villarreal 'Moy Yuet Mah' is the one who most coordinates sessions of Ving Tsun Experience in the Copacabana School. Si Jeh Angela Carvalho 'Moy On Gaak Lai' is opening doors, representing the Moy Lin Mah family outside of Brazil. Our Dai Si Jeh Inez Viegas will soon be accessing the Mui Fa Jong domain and this is a milestone for our family as we will have members for the first time accessing the upper levels of the Ving Tsun System. Honestly, there are many names that comes to my mind, I could speak of each one of them, but it would take some time, (laughs). It is thanks to the contribution of each of these people and the difference that they give, that I can also enjoy this moment that the Moy Lin Mah family lives today.
 (esq. a dire., André Villarreal, Helena Carneiro, Mestra Ursula Lima, Angela Carvalho e Rodolpho Alcantara. Foto tirada no Núcleo Copacabana em 2016, dias antes da Cerimônia de Baai Si de  Angela Carvalho "Moy On Gaak Lai.")

(left to right, André Villarreal, Helena Carneiro, Master Ursula Lima, Angela Carvalho and Rodolpho Alcantara.. Photo taken at the Copacabana School in 2016, days before the Baai Si Ceremony of Angela Carvalho "Moy On Gaak Lai.")
(Helena Carneiro e sua irmã Kung Fu mais velha Inez Viegas, 
que é atriz de filmes como "Desabafo". Durante um momento de descontração 
antes do encerramento do ano do Núcleo Copacabana em 2014)

(Helena Carneiro and her older Kung Fu sis Inez Viegas,
who is an actress in films like "Desabafo". During a moment of fun
before the end of the activities of the Copacabana School in 2014)
(Mestra Ursula Lima com seu irmão Kung Fu mais velho Mestre Julio Camacho. Como falamos na parte 1 desta entrevista, a parceria administrativa dos dois Mestres foi lendária no Rio de Janeiro rendendo excelentes frutos e tornando Mestra Ursula, assim como sua discípula, na principal referência depois de seu Si Hing nos Núcleos dirigidos por ele).

(Master Ursula Lima with her elder Kung Fu brother Master Julio Camacho. As we mentioned in part 1 of this interview, the administrative partnership of the two Masters was legendary in Rio de Janeiro yielding excellent fruits and making Master. Ursula, as well as her disciple, the main reference after her Si Hing in the schools directed by him).
(Foto reunindo alguns dos principais nomes da história dos Núcleos em Jacarepaguá dirigidos pelo Mestre Julio Camacho juntos de Grão-Mestre Leo Imamura. -  
Assim como sua discípula, Mestra Ursula Lima trabalhou lado a lado com 
pessoas mais do que especiais naquele período e que esta foto foi capaz de captar em parte.)

(Photo by gathering together some of the main names in the history of the schools in Jacarepaguá neighborhood directed by Master Julio Camacho together with Grand Master Leo Imamura.
Like her disciple, Master Ursula Lima worked side by side with people who were more than special at that time and this photo was able to capture in part.)


Journey of Ving Tsun Life:  Você possui outros atributos artísticos. Você poderia nos falar sobre sua formação, seus trabalhos e se o desenvolvimento de seu Kung Fu a ajuda nesse aspecto?

Helena: A minha formação acadêmica foi pela Escola de Belas Artes da UFRJ, onde cursei Pintura por 4 anos. Eu comecei a praticar o Kung Fu num momento muito oportuno, foi um momento difícil - de transição, em que eu já estava quase concluindo a faculdade de Belas Artes e ao mesmo tempo fazendo estágio em outra área (a de TI), sem saber como conciliar as duas coisas. Lembro de muitas conversas que tive com Si Fu, em que eu sentia que precisaria escolher uma ou outra atividade, tendo em vista a formação de uma carreira. Si Fu levantou na época, a diferença do pensamento chinês com relação a este tipo de situação, em que nos encontramos diante de um dilema. Ela sugeriu então, que eu pensasse ao menos em uma terceira alternativa, levando-me a aprofundar na questão e a enxergar outras possibilidades. Hoje, continuo desempenhando e equilibrando as duas atividades, o que representa um desafio constante. O Kung Fu contribui imensamente para a minha percepção desse processo e para o meu crescimento profissional em ambas as áreas. 

Journey of Ving Tsun Life: You have other artistic attributes. Could you tell us about your training, your professional qualification, and if the development of your Kung Fu helps you in that regard?Helena: My academic qualification was by the School of Fine Arts of UFRJ, where I studied Painting for 4 years. I started practicing Kung Fu at a very opportune moment, it was a difficult moment - transition, when I was almost finishing the Fine Arts graduation and at the same time doing internship in another area (IT), without knowing how to reconcile the two. I remember many conversations I had with Si Fu, in which I felt that I would have to choose one or another activity in view of the formation of a career. Si Fu raised at the time, the difference of Chinese thinking with regard to this kind of situation, in which we are faced with a dilemma. She then suggested that I think at least of a third alternative, leading me to delve deeper into the question and to see other possibilities. Today, I continue to play and balance the two activities, which represents a constant challenge. Kung Fu contributes immensely to my perception of this process and to my professional growth in both areas.

 (Inauguração do Novo Núcleo Copacabana, em Maio de 2016. Um ano intenso para todos os membros da Família Moy Lin Mah, um ano de grandes mudanças! Foi a primeira vez que muitos dos membros da Família realizariam uma mudança de Mo Gun, inclusive Helena. E além do próprio Mo Gun, ela estaria mudando também para sua nova casa).

(Inauguration of the  New Copacabana school in May 2016. An intense year for all members of the Moy Lin Mah Family, a year of great changes! It was the first time that many of the members of the Family would help to move from the former Mo Gun address to the new one, including Helena . And besides Mo Gun itself, she would be moving to her new home too).
(Em 2003, Mestra Ursula Lima , assim como sua discípula, fazia a abertura de uma Cerimônia Tradicional. Na ocasião,  a I Cerimônia Tradicional do Clã Moy Jo Lei Ou.)

(In 2003, Master Ursula Lima, as well as her disciple, opened a Traditional Ceremony. At that time, the 1st Traditional Ceremony of the Clan Moy Jo Lei Ou. )

Journey of Ving Tsun Life:  Poderia nos falar sobre sua experiência vivendo dentro de um Mo Gun? Seja com sua Si Fu, com a impossibilidade de dizer “está na hora de ir pra casa” porque você já está em sua casa, ou com a quantidade de pessoas que entram e saem diariamente de lá?

Helena: Com relação ao espaço do Mo Gun, procuro manter alguns cuidados, para ajustar a frequência e não perder o nível de atenção que devemos ter ao adentrar num Mo Gun (recinto marcial). Apesar de estar aqui, no mesmo local, o meu espaço e o espaço do Mo Gun são ambientes completamente diferentes. Quanto a rotina, nossa Si Fu dispõe de uma dia na semana para ficar no Mo Gun de um dia para o outro, temos reuniões que vão até tarde da noite e algumas práticas com os discípulos durante a madrugada. Isto já faz parte do nosso dia a dia e é quando mais podemos ter momentos de convivência com nossa Si Fu e desfrutarmos da Vida Kung Fu. Sabemos que para ela não é fácil ficar longe de sua filha Rebeka e de seu esposo Sing Sang Ricardo Lopes, por isso valorizamos ainda mais estes momentos juntos.

Journey of Ving Tsun Life: Could you tell us about your experience living inside a Mo Gun? Be it with your Si Fu, with the impossibility of saying "it's time to go home" because you're already in your home, or with the amount of people that come in and out daily there?Helena: With regard to the Mo Gun space, I try to maintain some care, to adjust the frequency and not lose the level of attention that we should have when entering a Mo Gun. Despite being here, in the same place, my space and Mo Gun space are completely different environments. As for routine, our Si Fu has one day a week stays at the Mo Gun overnight, we have meetings that go late into the night and some practice with the disciples at dawn. This is already part of our daily life and it is when we can more have moments of coexistence with our Si Fu and enjoy the Kung Fu Life. We know that it is not easy for her to stay away from her daughter Rebeka and her husband Sing Sang Ricardo Lopes, so we value these moments together even more.

 (Cerimônia de Hoi Kuen de Helena. O Mestre Senior Julio Camacho foi uma Testemunha Honorável na ocasião.. da esq. para a dir., Marcos Alexandre, Helena Carneiro, Marcus Souza e Lucia Amaral . Em suas próprias palavras: " Fico muito feliz de poder contar hoje com a amizade e companheirismo de meus irmãos Kung Fu, Si Hing Marcus Souza e Si Jeh Lucia Amaral, após 4 anos de nosso ingresso na Família Kung Fu, da mesma forma que naquela época.")

(Helena´s Hoi Kuen Ceremony.Senior Master Julio Camacho was an Honorable guest  at the time  From left to right: Marcos Alexandre, Helena Carneiro, Marcus Souza and Lucia Amaral.In her own words: "I am very happy to be able to count on the friendship and companionship of my  Kung Fu brothers Si Hing Marcus Souza and Si Jeh Lucia Amaral, after 4 years of our entry into the Kung Fu Family, in the same way as at that time. ")

Journey of Ving Tsun Life: Com o seu “Baai Si”, numa Linhagem ininterrupta, desde e monja Ng Mui e Yim Ving Tsun, não tínhamos em nossa linhagem um Baai Si de uma mulher com uma Si Fu, como foi o seu caso. Como você percebe o fato de você e sua Si Fu terem se tornado únicas na América Latina e no mundo, por participarem de um processo que não acontecia a quase 400 
 anos?

 Helena: Honestamente, eu não tenho muita dimensão desse fato. Mas no ano passado, tivemos o Baai Si de Si Jeh Angela Carvalho Moy On Gaak Lai na família Moy Lin Mah e hoje temos muitas praticantes mulheres no Núcleo Copacabana, algo que talvez torne-se cada vez menos inédito dentro da nossa história. No Clã Moy Yat Sang temos grandes referências femininas com alto de nível de Kung Fu como Si Sok Cristina Azevedo (São Paulo/SP), Si Sok Ana Paula Mendonça (Minas Gerais/BH), Si Sok Liana Lott (Minas Gerais/BH), Si Sok Bruna Piantino (Minas Gerais/BH) e Si Sok Mirta Attas (Buenos Aires, Argentina). Acredito que os dias de hoje e as mudanças que percebemos também fazem parte desses 400 anos de história.

Journey of Ving Tsun Life: With your "Baai Si", in an uninterrupted Lineage, since nun Ng Mui and Yim Ving Tsun, we did not have in our lineage a Baai Si of a woman with a Si Fu, as was your case. How do you perceive the fact that you and your Si Fu have become unique in Latin America and the world, for participating in a process that did not happen almost for 400 years? Helena: Honestly, I do not have much of that dimension. But last year we had the Baai Si of Si Jeh Angela Carvalho "Moy On Gaak Lai" in the Moy Lin Mah family and today we have many women practicing in the Copacabana School, something that may become less and less unheard of within our history. In the Grand Moy Yat Sang Clan we have great female references with high Kung Fu level like Si Sok Cristina Azevedo (São Paulo / SP), Si Sok Ana Paula Mendonça (Minas Gerais / BH), Si Sok Liana Lott (Minas Gerais / BH) , Si Sok Bruna Piantino (Minas Gerais / BH) and Si Sok Mirta Attas (Buenos Aires, Argentina). I believe that the present day and the changes that we perceive are also part of these 400 years of history.
(Helena Carneiro "Moy Gaap Lin" e a filha de sua Mestra Ursula Lima, Rebeka Lima , 
por ocasião da celebração do aniversário de 52 anos do Grão-Mestre Leo Imamura)

(Helena Carneiro "Moy Gaap Lin" and the daughter of her Master Ursula Lima, Rebeka Lima,
on the occasion of the celebration of the 52nd anniversary of Grand Master Leo Imamura)


Journey of Ving Tsun Life: Você pode nos falar um pouco sobre o seu entendimento a respeito do seu “Nome Kung Fu” recebido por você de sua Si Fu?

Helena: Meu nome Kung Fu - Moy Gaap Lin (梅甲蓮) - pode ser traduzido como "A Protetora da Família com a Natureza Feminina da Lótus". Si Fu costuma me dizer que o ideograma Gaap (甲) pode ser usado para se referir a uma "carapaça" ou "escudo", daí o sentido de "proteção". Contudo, Si Fu adverte que este "escudo" pode tanto proteger, quanto bloquear e que eu devo me atentar para isto, pois um bloqueio pode impedir o fluxo natural das coisas e trazer consequências ruins para a nossa família, por melhor que seja a intenção.

Journey of Ving Tsun Life: Can you tell us a little about your understanding of your "Kung Fu Name" you received from your Si Fu?Helena: My Kung Fu name  is Moy Gaap Lin (梅 甲 蓮) - can be translated as "The Protector of the Family with the Feminine Nature of the Lotus". Si Fu often tells me that the Gaap ideogram (甲) can be used to refer to a "shell" or "shield", hence the sense of "protection." However, Si Fu warns that this "shield" can both protect and block and that I must pay attention to this, because a blockage can prevent the natural flow of things and bring bad consequences for our family, even with good intentions

 (Durante a Visita Oficial de Grão-Mestre Leo Imamura em Março de 2015, após Helena receber de seu Si Gung,  o pôster do projeto "Ving Tsun Kuen Kuit Suen Hak" ).

(During the official visit of Grandmaster Leo Imamura in March 2015, after Helena received from her Si Gung, the poster of the project "Ving Tsun Kuen Kuit Suen Hak").

 (Foto da Inauguração do Núcleo Savassi, BH/MG em 2015.  Esta foi a primeira viagem solo de Helena com sua Si Fu e também a primeira vez em que esteve com os membros do Grande Clã Moy Yat Sang de Minas.Em suas próprias palavras: " Todas as ocasiões em que pude viajar com Si Fu foram emblemáticas e muito intensas. É difícil falar sobre este nível de experiência, pois mesmo após o evento, fico emocionada ao relembrar determinados momentos e diálogos" )

(Photo of the inauguration of the Savassi School, BH / MG in 2015. This was Helena's first solo trip with her Si Fu and also the first time she was with the members of the Grand Clan Moy Yat Sang from Minas Gerais.In her own words : "All occasions where I could travel with Si Fu were emblematic and very intense. It is difficult to talk about this level of experience, because even after the event, I am thrilled to remember certain moments and dialogues." )

Journey of Ving Tsun Life: Você poderia nos falar sobre o que significa sua relação com sua Si Fu hoje para você?

 Helena: Numa primeira instância, a conexão com o legado de Patriarca Moy Yat, um ponto de encontro que vai além de uma relação direta. Trata-se de um compromisso com toda a ancestralidade do Sistema Ving Tsun e com as gerações futuras; É um compromisso difícil de manter, pois demanda trabalho, atenção e cuidado contínuos, tempo e dedicação. Mas quando olho para Si Fu, depois de um dia cansativo no Mo Gun ... Penso no meu pai e na minha mãe, nos meus irmãos, penso no Sing Sang Ricardo e Rebeka, penso no Si Gung, Si Tai, Si Tai Gung ... O meu compromisso com Si Fu é o que me possibilita perceber o mundo a minha volta em um outro nível e o que me permite fazer parte desse mundo de maneira muito mais significativa.

Journey of Ving Tsun Life: Could you tell us about what your relationship with your Si Fu means to you today?

 
 Helena: In a first instance, the connection with the legacy of Patriarch Moy Yat, a meeting point that goes beyond a direct relationship. This is a commitment with all the ancestry of the Ving Tsun System and with future generations; It is a difficult commitment to maintain, as it demands continuous work, attention and care, time and dedication. But when I look at Si Fu, after a tiring day at Mo Gun ... I think of my father and my mother, my brothers, I think of Sing Sang Ricardo and Rebeka, I think of Si Gung, Si Tai, Si Tai Gung ... My commitment to Si Fu is what enables me to perceive the world around me on another level and what allows me to be part of this world in a much more meaningful way.

( Helena pratica um dos Componentes Associados do  
Domínio "Siu Nim Tau" com André Beser no antigo Núcleo Copacabana.)

(Helena practices one of the Associated Components of the Domain "Siu Nim Tau" 
with André Beser in the former  Copacabana School address.)
 (A Mestra de Helena, Mestra Ursula Lima. Executa o "Siu Nim Tau" 
enquanto seu próprio Mestre, Grão-Mestre Leo Imamura, caminha em primeiro plano.)

(The Master of Helena, Master. Ursula Lima, performs the "Siu Nim Tau"
while her own Master, Grand Master Leo Imamura, walks in the foreground.)

Journey of Ving Tsun Life: Para finalizar, você poderia deixar uma mensagem sobre a importância da prática das artes marciais nos dias de hoje para uma pessoa?

Helena: O conceito chinês de 'Arte Marcial' aponta para a habilidade em desenvolver-se como ser humano através do combate simbólico (simbólico, pois trata-se de uma visão mais ampla, que não se restringe apenas a luta). Nesse sentido, acredito que a prática de uma Arte Marcial pode tornar-se muito benéfica para qualquer pessoa que esteja em busca do aprimoramento pessoal de suas capacidades físicas e emocionais, desde que haja um profissional com esta visão por trás desse trabalho. A marcialidade traz aspectos interessantes sobre a nossa conduta diante de situações de enfrentamento, nos revela quem realmente somos na crise - simbolicamente presente quando somos tocados, golpeados ou quando perdemos espaço e ficamos acuados. O corpo responde de forma mais honesta, somos capazes de perceber de imediato as consequências de nossas ações através do corpo e de entender se determinada ação foi ou não adequada para aquela situação. O Ving Tsun Kung Fu, diferente do que é apresentando normalmente na prática de Artes Marciais, sugere que não se valha da força ou da técnica para ter bons resultados, mas que dedique-se a desenvolver a percepção do outro para ajustar-se adequadamente dentro de qualquer situação. Acredito que esta ideia contribua para a ampliação de nossa consciência a respeito do mundo a nossa volta e de como podemos usufruir, da melhor maneira possível, do que a vida nos oferece.

Journey of Ving Tsun Life: To conclude, could you leave a message about the importance for a person to practicing martial arts these days ?Helena: The Chinese concept of 'Martial Art' points to the ability to develop as a human being through symbolic combat (symbolic, because it is a broader view, which is not restricted to fighting). In this sense, I believe that the practice of a Martial Art can become very beneficial for anyone who is in search of personal improvement of their physical and emotional capacities, as long as there is a professional with this vision behind this work. Martialism brings interesting aspects about our conduct in confronting situations, revealing who we really are in the crisis - symbolically present when we are touched, struck or when we lose space and become trapped. The body responds more honestly, we are able to immediately perceive the consequences of our actions through the body and to understand if a certain action was appropriate for that situation. Ving Tsun Kung Fu, unlike what a person  normally does in Martial Arts practice, suggests that the person does not use force or technique to have good results, but that he or she devotes themselves to developing the perception of the other to suitably fit in. of any situation. I believe that this idea contributes to the expansion of our awareness of the world around us and of how we can enjoy, in the best possible way, what life offers us.
 A página "A Journey of Ving Tsun Life" agradece a gentileza de Helena Carneiro "Moy Gaap Lin" em contar apenas algumas de suas grandes aventuras e reflexões desde que adentrou o "Mo Lam", tendo já a primeira parte de sua entrevista entrado para a história da página, como uma das com mais acessos num único dia: 450 para ser mais exato.

The page "A Journey of Ving Tsun Life" thanks the kindness of Helena Carneiro "Moy Gaap Lin" in telling some of her great adventures and reflections since she entered "Mo Lam", having already the first part of her interview entered for the history of the page, as one of the most accessed articles in a single day: 450 to be more accurate.
(Com meu Mestre Julio Camacho e Mestra Ursula Lima , por ocasião da minha migração da Família Moy Yat Sang para a Família Moy Jo Lei Ou mais de dez anos atrás. )

(With my Master Julio Camacho and Master Ursula Lima, on the occasion of my migration from the Moy Yat Sang Family to the Moy Jo Lei Ou Family more than ten years ago.)
Agradeço especialmente à minha Gaai Siu Yan, Mestra Ursula Lima, que deu total apoio durante todo o processo para que esta entrevista acontecesse ao longo de mais de um mês.

Special thanks to my Gaai Siu Yan, Master Ursula Lima, who gave full support throughout the process so that this interview took place over more than a month.



The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com

domingo, 10 de novembro de 2019

The Top Three Lessons I Learned From My Master Julio Camacho

(Si Fu executa movimento da sequência de movimentos do Mui Fa Jong
na antiga sede central da Moy Yat Ving Tsun em NY, EUA)

(Si Fu performs Mui Fa Jong form
 at former Moy Yat Ving Tsun headquarters in NY, USA)

A cada dia que passa, estamos nos aproximando da data na qual meu Mestre Julio Camacho, vai completar cinquenta anos de idade. A celebração por parte da Família Kung Fu, será realizada no dia 07 de Dezembro de 2019, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. 
Quando me juntei à Família Kung Fu, Si Fu estava prestes à completar trinta anos de idade... É difícil imaginá-lo com cinquenta. 
Nesta longa estrada de vinte anos juntos, muitas aventuras foram vividas e muitas lições aprendidas. Porém, quero aqui elencar as três principais lições que aprendi com Si Fu nesse tempo...

With each passing day, we are approaching the date on which my Master Julio Camacho will turn fifty years old. The celebration by the Kung Fu Family will be held on December 7, 2019, in the West Zone of Rio de Janeiro.
When I joined the Kung Fu Family, Si Fu was about to turn thirty years old ... It's hard to imagine him at fifty.

On this long road of twenty years together, many adventures have been lived and many lessons learned. However, I want to list here the three main lessons I learned from Si Fu at that time ...


3- DEDIQUE-SE À CHEGAR RAPIDAMENTE AO FUNDO DO POÇO:
3- DEDICATE YOURSELF TO  QUICKLY GET TO THE ROCK BOTTOM :

Em 29 de Agosto de 2015, eu recebi meu "Jiu Paai" das mãos de meu Si Fu(FOTO), como símbolo de legitimidade para a abertura da minha Família Kung Fu. Veja: Achando um excelente carpinteiro, você pode encomendar um "Jiu Paai" para você, pois se trata de uma placa de madeira. Sendo assim, a força desse objeto, está no ato da entrega. E para todos que me viram receber esse objeto tão significativo, não testemunharam o momento com Si Fu no segundo piso do Barra Shopping em 20 de Novembro de 2010, quando ele disse à mim que eu havia passado os três anos anteriores caindo, e que naquele momento finalmente atingira o fundo do poço. Si Fu apresentou uma perspectiva muito interessante, dizendo que quando atingimos o fundo do poço, podemos começar finalmente a nos reerguer. Ele me perguntou se eu sabia quando um "Jiu Paai" começava a ser feito. Respondi que não. Ele concluiu após alguns comentários: "O seu começa a ser feito agora. Nós vamos sair desse buraco juntos." - Portanto, ao se enxergar em uma situação difícil que não parece ter fim, dedique-se à atingir o fundo. Assim, você poderá tocar o chã e só lhe restará subir.

On August 29, 2015, I received my "Jiu Paai" from the hands of my Si Fu (PHOTO) as a symbol of legitimacy for the opening of my Kung Fu Family. See: Finding a great carpenter, you can order a "Jiu Paai" for yourself, as it is a wood board. Thus, the strength of this object is in the act of giving it for someone. And for everyone who saw me receive such a significant object, they did not witness the moment with Si Fu on the second floor of Barra Shopping Mall on November 20, 2010, when he told me that I had spent the previous three years falling, and that in that moment had finally hit rock bottom. Si Fu presented a very interesting perspective, saying that when we hit rock bottom, we can finally start to rise again. He asked me if I knew when a "Jiu Paai" was being made. I said no. He concluded after a few comments: "Yours is now being done. We will get out of this hole together." Therefore, when you find yourself in a difficult situation that never seems to end, dedicate yourself to reaching the bottom. This will allow you to touch the floor and you will only have to climb.

2-  CORAÇÃO GRANDE, MEMÓRIA RUIM.
2- BIG HEART, BAD MEMORY.

(Praticando o "Cham Kiu" numa das antigas residências de Si Fu em 2009)
(Practicing "Cham Kiu" in one of Si Fu's former residences in 2009)



Esta é uma das lições mais difíceis de se colocar em prática. Era uma noite de Outubro de 2009, quando Si Fu passou um de seus braços sobre meus ombros, e enquanto caminhávamos daquela forma em direção ao seu antigo ZAFIRA no estacionamento do shopping Downtown. Disse-me que o segredo da felicidade era termos um coração grande e uma memória ruim.
Minha memória é considerada boa por muitos, Si Fu costumava dizer que eu era seu "Pendrive". Pois tinha todos os registros na cabeça: "...Sabe que ano foi isso, Thiago?" - Perguntava ele em meio a uma história. Esta mesma memória por muitas vezes, dificultou-me seguir adiante. - "...Por que você escuta tanta música antiga Thiago? Sentir um pouco de nostalgia é bom, mas não demais. O passado é legal, tem um monte de história bacana..Mas não tem nada pra você lá. A vida é aqui e agora..."- Disse-me Si Fu certa vez.
Si Fu tem a estranha capacidade de "zerar" conflitos em seu coração muito rapidamente -  "Hoje eu posso deitar no travesseiro com a consciência tranquila, Thiago" . - Comentou ele.

This is one of the hardest lessons to put into practice. It was an October 2009 night when Si Fu wrapped one of his arms around my shoulders, and as we walked that way toward his old ZAFIRA in the Downtown mall parking lot. He told me that the secret to happiness was to have a big heart and a bad memory.
My memory is considered good by many, Si Fu used to say that I was his "Pendrive". Because I had all the records in my head: "... Do you know what that year was, Thiago?" He used to ask me in the middle of a story. This same memory has often made it difficult for me to move on. - "... Why do you listen to so much old music Thiago? Feeling a little nostalgia is good, but not too much. The past is cool, there's a lot of cool history. But there's nothing for you there. Life is right here and right now ... "- Si Fu told me once.
Si Fu has the strange ability to "clear" conflicts in his heart very quickly - "Today I can lie on the pillow with a clear conscience, Thiago". - He commented.

1- RENOVAR O COMPROMISSO. 
1- RENEW THE COMMITMENT
(Si Fu durante visita à antiga sede do Núcleo Méier em 2013)
(Si Fu during visit to the former headquarters of the MYVT Meier School in 2013)

Quando a primeira sede do Núcleo Méier foi inaugurada. Si Gung fez o gesto chamado "Ng Tou Tau Tei". Enquanto ele o fazia, Si Fu disse-me bem baixo: "Eu vou fazer, você não precisa".
Na Terça seguinte, estávamos sozinhos na antiga sede do Núcleo Barra no Condomínio Interlagos de Itaúna, e ele me convidou até a mesa ancestral. Naquele momento, ele disse que eu poderia fazer o "Ng Tou Tau Tei" caso desejasse. - "Se faz o 'Ng Tou Tau Tei' no momento do 'Baai Si', mas acho interessante fazer como forma de renovar o compromisso com a ancestralidade. Quando eu fiz durante a inauguração, estava renovando meu compromisso. Você pode renovar o seu, fazendo sempre que desejar". 
Si Fu falou aquilo num tom sério, mas após aquele dia, sempre que a semana começa realizo esse procedimento no meu Mo Gun. Acho que o dia da Cerimônia de Discipulado, é só um primeiro momento da manifestação desse desejo de seguir o Si Fu. Conforme os anos vão passando, para se manter a relação viva, é fundamental que: Solucionemos rapidamente imbroglios nos quais estejamos inseridos(dentro ou fora do círculo marcial), ter um coração grande e uma memória ruim, e renovar o compromisso.

When the first headquarters of MYVT Méier School was inaugurated. Si Gung made the gesture called "Ng Tou Tau Tei". As he did so, Si Fu said to me very quietly, "I'll do it too, you don't have to."
The following Tuesday, we were alone in the old headquarters of MYVT Barra School in the Interlagos Condominium , and he invited me to the ancestral table. At that moment, he said I could do the "Ng Tou Tau Tei" if I wanted to. - "People do 'Ng Tou Tau Tei' at the moment of  the 'Baai Si', but I find interesting to do as a way of renewing the commitment to ancestry. When I did it during the inauguration, I was renewing my commitment. You can renew yours , doing whenever you want ".
Si Fu said that in a serious tone, but after that day, whenever the week starts I do this procedure on my Mo Gun. I think the day of the Discipleship Ceremony is just a first moment of manifesting this desire to follow a Si Fu. As the years go by, to keep the relationship alive, it is critical that:We can quickly resolve imbroglios into which we are inserted (inside or outside the martial circle), have a big heart and a bad memory, and become able to renew commitment.


O aniversário do Si Fu, é um ótimo momento para retomar a relação!


Inscreva-se agora na celebração do aniversário
de cinquenta anos do Si Fu Julio Camacho. 
Carmen Maris (21) 98101-5760(whatsapp)


Si Fu's birthday is a great time to get the "Si-To" relationship back on track!

Sign up now for Si Fu Julio Camacho's fiftieth anniversary celebration.
Carmen Maris (21) 98101-5760 (whatsapp)




The Disicple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@gmail.com