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sexta-feira, 11 de maio de 2018

WHEN YOUR LOVER DOES NOT LIKE KUNG FU

(Com Si Gung em seu aniversário em 2015 no Rio de Janeiro.)
(With Si Gung in his 2015 birthday celebration in Rio.)

Já contei aqui , sobre quando levei Si Gung no carro até o Núcleo Centro, saindo do bairro Recreio na Zona Oeste do Rio, para um evento numa linda manhã de Domingo. Perguntei a ele, sobre sua incrível rotina de viagens ao redor do Brasil e do mundo em quase todos os finais de semana do ano. Eu me espantava, sobre como era possível manter um casamento com toda essa dedicação.
Si Gung tranquilamente me colocou a situação de uma forma muito simples de ser resolvida. Tão simples, que me senti estúpido. Porém, ele encerrou dizendo que teve a sorte de encontrar alguém como sua esposa.

I've told you here, about when I took Si Gung in the car to the MYVT Downtown Rio School, leaving the Recreio neighborhood in the West Zone of Rio, for an event on a beautiful Sunday morning. I asked him, about his incredible routine of travels around Brazil and the world on almost every weekend of the year. I wondered how it was possible to have a marriage with all that dedication.
Si Gung quietly put the situation to me in a very simple way to be resolved. So simple, I felt stupid. However, he ended by saying that he was fortunate enough to meet someone as his wife.
(Com o querido irmão Kung Fu Phelipe Pita durante evento em Outubro de 2007 
na antiga residência da Si Suk Ines Braconnot na Zona Oeste do Rio.)

(With my dear Kung Fu brother Pehlipe Pita in Oct. 2007, at the former 
residence of Si Suk Ines Braconnot in West Zone of Rio)

Durante muito anos, estive alheio a um questão que parece acometer muitos membros de Famílias Kung Fu: "Como equilibrar o tempo dedicado a Família Kung Fu com seu parceiro?".
 Eu simplesmente ia até o Mo Gun, praticava e ia embora. Assim foi por muitos anos, até que Thiago Wasserman e Phelipe Pita(foto), me convidaram para ser seus "Gaai Siu Yan" e tudo começou a mudar.
A cada mês e a cada ano, eu parecia me envolver mais e mais no dia a dia da Família Kung Fu: Almoços, eventos, demonstrações, práticas aos Domingos, aulas de chinês aos Domingos, viagens, etc, etc....  Eu não percebi , que aos poucos, estava vivendo uma vida incrível, com pessoas incríveis em diferentes situações incríveis. Porém, naquela época nunca me perguntei: "Será que a pessoa que está comigo também acha isso tudo incrível?"

For many years, I have been oblivious to a question that seems to affect many members of Kung Fu Families: "How to balance the time dedicated to the Kung Fu Family and the time dedicated to your partner?".
I simply went to the Mo Gun, practiced and left. So it was for many years, until Thiago Wasserman and Phelipe Pita (photo), invited me to be their "Gaai Siu Yan" and everything began to change.
Every month and every year, I seemed to get more and more involved in the Kung Fu Family's daily life: Lunches, events, demonstrations, Sunday practice, Chinese lessons on Sundays, trips, etc. I did not realize that I was gradually living an incredible life with incredible people in different incredible situations. But at that time I never asked myself, "Does the person who is with me find this incredible too?"
(Numa demonstração com Si Fu numa ordem esotérica no Méier em 2007)
(During a demonstration in 2007 in Meier neighborhood in 2007 at some religious place)

Apresentar o conceito de "Si Fu" ao seu companheiro pode não ser uma tarefa fácil. Si Fu diz que um antigo dito chinês fala da relação Si Fu - To Dai da seguinte maneira: "Deve-se respeitar os pais e amar o Si Fu.".
A dedicação que se coloca na relação Si Fu-To Dai, a quantidade de tempo investido, podem realmente ser incompreensíveis para pessoas de fora do Círculo Marcial. Talvez a pessoa aceite você passar muito tempo com seus familiares, até mesmo com a "turma do futebol de Domingo". Mas com o Si Fu.... Hum...

Presenting the concept of "Si Fu" to your partner may not be an easy task. Si Fu says that an old Chinese saying speaks of the relation Si Fu - To Dai as follows: "One must respect the parents and love the Si Fu.
The dedication of the Si Fu-To Dai relationship, the amount of time invested, can really be incomprehensible to people outside the Martial Arts Circles. Maybe the person agrees when you spend a lot of time with your relatives, even with the your friends who you play football with on Sundays. But with Si Fu .... Hum ... I dont know...
Esse almoço, ocorreu numa tarde de Sábado de 2007 no restaurante Benkei do Barra Shopping. Quem tirou a foto foi o discípulo Claudio Pamplona. Estávamos num "Pós-evento" de uma demonstração de um dia inteiro na faculdade Estácio de Sá na Barra da Tijuca.
Graças a esse almoço, quase perdi minha namorada da época. É difícil explicar, para quem é de fora do círculo marcial como flui a Vida Kung Fu.

This lunch took place on a Saturday afternoon in 2007 at the Benkei restaurant in Barra Mall. Who took the photo was the disciple Claudio Pamplona. We were in a "Post-event" of a full-day demonstration at Estácio de Sá College in Barra da Tijuca.
Thanks to this lunch, I almost lost my girlfriend at the time. It is difficult to explain, for those outside the martial circles the flow of the Kung Fu Life ...
No filme "O Grande Mestre 3" (Ip Man 3, 2015), acompanhamos esta angústia que muitos praticantes sérios passam, na brilhante interpretação de Donnie Yen. Mais uma vez interpretando Ip Man, ele se vê num dilema diário ao constantemente escolher o círculo marcial à sua mulher devido as suas responsabilidades de Líder de Família Kung Fu e legatário do Ving Tsun.
O personagem de Donnie Yen, Ip Man, toma uma decisão não tão incomum na vida real: Sem condições de lidar com as duas demandas, escolhe ficar apenas ao lado da esposa, e deixa de frequentar o círculo marcial.

In "Ip Man 3"( 2015) movie, we follow this anguish that many serious practitioners go through, in the brilliant interpretation of Donnie Yen. Again playing Ip Man, he finds himself in a daily dilemma by constantly choosing the martial arts circles and not his wife due to his responsibilities as Kung Fu Family Leader and Ving Tsun's legatee.
Donnie Yen's character, Ip Man, makes a not-so-unusual decision in real life: Unable to deal with both demands, he chooses to stay only with his wife, and stops attending the martial circle.

Graças uma experiência real de vida e morte, a esposa de Ip Man toma uma atitude diferente: Pede que seu marido a leve ao Mo Gun, e lhe mostre a sequência de movimentos do Muk Yan Jong. O barulho do contato dos braços do grande mestre com o boneco de madeira lhe dão prazer. Pois ela percebe, que aqueles gestos também são parte de seu marido... Também são parte de quem ela ama.

Thanks to a real life-and-death experience, Ip Man's wife takes a different attitude: She asks her husband to take her to Mo Gun, and show her the sequence of Muk Yan Jong's moves. The noise of the contact of the great master's arms with the wooden dummy gives her pleasure. Because she realizes that those gestures are also part of her husband ... They are also part of the one she loves.
Lembro que após passar por um término de relacionamento muito duro anos atrás, já recuperado comentei com Si Fu: "Apenas tenho medo de me tornar muito frio."-  E ele respondeu: "E qual o problema em ser frio?" . Ambos sabíamos do que eu estava falando. Mas Si Fu aproveitou para trazer à mim a perspectiva Kung Fu, na qual muita excitação ou muita tristeza, nos impedem de agir com clareza.
A jornada da vida é por natureza solitária, e ter consciência disso, nos permite apesar de tudo, não perder o foco da nossa Linha Central. Porque quando tudo desmorona, você só tem a você mesmo.

I remember that after going through a very hard relationship years ago, already recovered I commented with Si Fu: "I'm just afraid of becoming too cold as a man." - And he replied: "And what's the problem in being cold?" . We both knew what I was talking about. But Si Fu took the opportunity to bring to me the Kung Fu perspective, in which much excitement or much sadness take us away from acting clearly.
The journey of life is solitary in nature, and being aware of it, allows us, despite everything, not to lose the focus of our Center Line. Because when it all falls apart, you only have yourself.
(Si Suk Ursula , Mestra e Líder da Família Moy Lin Mah, 
acompanha minha evolução desde os 15 anos de idade.)

(Si Suk Ursula, Master and Leader of Moy Lin Mah Family,
watches me since I was a 15 years old teenager. Now I´m 34.)

Si Suk Ursula certa vez me falou, que por sermos treinados dentro do Ving Tsun para explorar essa atenção cuidadosa para com o outro, devemos ter cuidado para não nos frustrarmos quando o outro não despender o mesmo cuidado conosco. No entanto, esta atenção cuidadosa não diz respeito a abrirmos mão do que nos é caro, como a relação "Si Fu-To Dai" ou levar o outro a fazer algo parecido.

Si Suk Ursula once told me, that by being trained within the Ving Tsun to explore this careful attention to the other, we must be careful not to get frustrated when the other does not take the same care with us. However, this careful attention is not about giving up what is important to us, like the "Si Fu-To-Dai" relationship or getting the other to do something similar.

(Com Si Fu em sessão de fotos)
(With Si Fu , during a photo sesseion)


Não é que sejamos egoístas, mas o discípulo mais envolvido na relação "Si Fu-To Dai" é apaixonado pelo que faz. Este discípulo vê um propósito em se dedicar . Acontece que  por ser uma relação tão diferente de qualquer coisa que exista em nossa sociedade ocidental , não será tão facilmente compreendida por quem está perto. Desta forma, pode ser que este praticante ouça constantes reclamações de que não se dedica tanto ao relacionamento quanto a relação "Si Fu-To Dai". Ao ponto de em determinado momento, por estar envolvido afetivamente com seu companheiro,  o praticante seja tocado por algo que foi dito, e acaba sendo balançado com relação a sua jornada como praticante.
Sobre isso, Si Fu disse certa vez: "... O problema não está no que você ouve. O problema é quando você acredita no que está ouvindo..."

It is not that we are selfish, but the  disciple  serious in the relationship "Si Fu-To-Dai" is passionate about what he does. This disciple sees a purpose in dedicating himself. It turns out that because it is such a different relationship from anything that exists in our Western society, it will not be so easily understood by those around. In this way, it may be that this practitioner hears constant complaints that he is not as dedicated to the relationship with his partner as to the "Si Fu-To Dai" relationship. To the point at a certain moment, by being affectively involved with his partner, the practitioner is touched by something that has been said, and ends up being swayed in relation from his journey as a practitioner.
About this, Si Fu once said: "... The problem is not what you hear. The problem is when you believe what you are hearing ..."



Existe uma entrevista de Bruce Lee na década de '60 à TV americana, talvez a mais famosa delas. Você vai se recordar de quando ele disse que em última instância a habilidade final do artista marcial é a de conseguir ser honesto consigo mesmo. Escrevo isso, porque no fundo, quando você ouve reclamações de seu parceiro porque quer participar de um momento de Vida Kung Fu ou fazer uma viagem, ou das horas que passa no Mo Gun. Bom, talvez ele esteja certo. Talvez você realmente dê prioridade a isso tudo que escrevi. Mas por não termos coragem de sermos honestos quando a situação pede, arranjamos mil desculpas, primeiro para a pessoa , e depois para nós mesmos.

There's a Bruce Lee interview from the 1960's on American TV, perhaps the most famous of them. You will remember from when he said that ultimately the ultimate ability of the martial artist is to be able to be honest with himself. I write this because deep down, when you hear complaints from your partner because you want to join a moment of Kung Fu Life or take a trip with Si Fu, or the hours that you spend in the Mo Gun. Well, maybe she or he are right. Maybe you really give priority to everything I've written. But because we do not have the courage to be honest when the situation asks, we get a thousand excuses, first for the person, and then for ourselves.

(Aniversário de Si Gung no Rio. Si Fu com ele em foto tradicional)
(Si Gung´s birthday in Rio. Si Fu poses with him in traditional photo.)


Acredito que possamos ser honestos em nossos relacionamentos. Primeiro consigo mesmo, para que você próprio possa ter a real noção do quanto está disposto a abrir mão. E em segundo lugar, para com seu parceiro. Ele/Ela merecem honestidade.

I believe we can be honest in our relationships. First with ouserlves, so that you can have the real notion of how much you are willing to give up. And secondly, to your partner. He/She deserves honesty.



The Disciple of Master Julio Camacho
Thiago Pereira "Moy Fat Lei"
moyfatlei.myvt@Gmail.com